Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

NAS ASAS DO MEU QUERER

Voei,
como um pássaro perdido,
magoado e ferido,
sem saber o seu rumo.
Voei,
passei vales e montes,
cruzei horizontes,
como telas de fumo.

Voei,
Naveguei mares sozinho,
tão longe do ninho,
que me viu nascer.
Voei,
e quantas vezes cansado,
só o céu estrelado,
me viu renascer.

Voei,
Conheci mundos e povos,
pelos caminhos novos,
que sempre percorri.
Voei,
e em cada voo que eu fiz,
arrisquei ser feliz,
mas sempre perdi.

Voei,
mesmo com asas molhadas,
de lágrimas cansadas,
de tanto voar.
Voei,
Apesar dos momentos,
em que os sofrimentos,
me quiseram parar.

Voei,
Tantas vezes à sorte,
renegando essa morte,
ou a derrota final.
Voei,
E num cinzento tristonho,
pintei cores de sonho,
na minha tela banal.

Voei,
E voando fui indo,
nesse sonho tão lindo,
de encontrar o prazer.
Voei,
Novamente vou embora,
parto de novo agora,
nas asas do meu querer.

A GUERREIRA

Ao despertar, vestes esse trajar, que te assenta tão bem.
E sais confiante, para a batalha errante, de mais um dia.
Desbravas caminhos, rasgas pergaminhos, na certeza porém,
que na luta da vida, sendo destemida, ninguém te vencia.

E puxas da espada, segues pela estrada, ninguém te intimida.
E em cada momento, há sempre um argumento, pronto a dizer.
Em cada norma, encontras a forma, de lutar pela vida,
mas vais esquecendo, que enquanto vivendo, te deixas morrer.

Mulher decidida, mulher construída, na sua armadura.
Tentando parecer, que não tens sofrer, que ninguém te magoa.
Mulher guerreira, que á sua maneira, se mostra tão dura
mulher que vence, mas não convence, que nada lhe doa.

E ao fim da jornada, embainhas a espada, batalha vencida.
No caminho singelo, retomas ao castelo, para pernoitar.
No quarto calado, o silêncio ao lado, de tudo despida
mulher guerreira, és a prisioneira, do teu desvendar.

A lágrima escondida, de dores sofrida, que a vida te deu.
Os receios e medos, e tantos segredos, tudo bem guardado.
Mulher carente, que quer ser gente, mas que se escondeu,
das coisas do amor, para não sentir a dor, que sentiu no passado.

E na noite calada, calma e deitada, adormece a pensar
Nessa ambiguidade, nem sabe na verdade, afinal o que quer
Porque a mulher guerreira, não sendo verdadeira, tem de lutar
mas não sabe esquecer, que apenas quer ser, uma simples mulher.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A DISTÂNCIA .....

Estavas longe, eu queria-te perto
queria-te bem juntinha a mim.....
Queria ver o teu olhar,
queria sentir e tocar,
e ficar para sempre assim.

Estavas longe, eu sentia-te perto
como se falasses ao meu ouvido...
E como era bom ouvir,
e deixar de me sentir
um homem errante e perdido.

Estavas longe, desejei-te perto
Com as forças do meu querer...
E deixei-me então levar,
sem sequer me controlar
nessa ânsia de prazer.

Estavas longe, fui para perto
Queria-te de qualquer maneira....
Porque ter apenas metade,
me dava tanta saudade,
loucura de te querer inteira...

Estavas longe, tive-te perto
e foi mais do que imaginei...
Pois tudo o que eu preciso
encontrei no teu sorriso,
no momento que te abracei.

Estavas longe, ficámos perto
e eu deixei-me então sonhar....
Era tudo tão bonito
que parecia infinito
o prazer de contigo estar....

Estavas longe, e ali tão perto
dissipou-se a minha ânsia...
Porque ao ter-te desse jeito
tão colada no meu peito
eu percebi a distância.

Estamos longe, estamos perto
o que é que virá depois?
Se te quero, e não tenho,
é enorme o tamanho
da distância entre nós dois.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

AS PALAVRAS .....

As palavras já não dizem, meu amor
tudo o que eu preciso de te dizer.....
É que eu quero contar-te o que me vai no peito...
Quero falar-te e não encontro jeito,
de te explicar o que estou a viver.

As palavras, já são poucas, meu amor
Para tanto que estou a sentir....
É que eu tenho vontade de gritar ao mundo,
que este sentimento é tão profundo,
que nada o conseguirá exprimir.

As palavras, já não chegam, meu amor
para contar o que me vai na alma.....
É que os meus sonhos mais escondidos,
dominaram todos os meus sentidos,
e só a tua presença me acalma.

As palavras, parecem vazias, meu amor
deixaram de por mim, saber falar....
É que eu nem sequer sei se consigo,
nos momentos em que estou contigo,
dizer-te tudo com o meu olhar.

As palavras, são agora silêncio, meu amor
e eu pergunto-me, como te direi....
É que eu não posso mais ficar calado,
quando te abraço ou te tenho ao meu lado
diz-me amor, como farei?

As palavras, já não escrevem, meu amor
os poemas que me dão tanta paz......
É que eu quero dizer-te em poesia,
como é tão grande a minha alegria
de te ter, e não sou capaz.

As palavras, são um vazio, meu amor
são como um caminho sem fim.....
É que elas já nem sequer te explicam,
como é que os meus sentidos ficam
quando chegas perto de mim.

As palavras, não importam, meu amor
pois sei que elas nunca te dirão....
É que palavras, não chegam para dizer,
o que me fazes sentir e viver,
o que me vai no coração.



sábado, 31 de outubro de 2015

A PORTA DO MONTE

Aquela porta do monte,
pequenina, tão velhinha,
onde tantas vezes passei...
Onde me fechava dos medos,
onde escondia segredos,
nos tempos em que brinquei...
Como castelo dourado,
da mais pura fantasia
Esse tempo, tão passado,
quando eu era soldado
da minha imaginação,
e nas searas de trigo,
enfrentava o inimigo
mas facilmente me escondia,
Onde o vento, lentamente,
quase se tornava gente,
num ondulante sussurrar,
nesse amarelo dourado,
em jeito de mar crispado,
em que adorava navegar.
E corria pelo campo,
de Alentejo pintado,
saciando meu desejo,
e já tarde, ao fim do dia
era então que fugia
para o refúgio de um beijo.
Dos braços que me esperavam,
nessa portinha do monte
que ternamente me abraçavam,
despedindo-me do horizonte.
E já o sol se deitava,
e a porta ainda aberta,
deixava espreitar a lua,
e eu vinha olhar a rua,
já com saudades do dia,
Mas uma voz me dizia,
que era hora de dormir,
Que o sol me brindaria,
com um radioso despertar,
com os pássaros a cantar,
chamando-me para a brincadeira.
E de novo eu seria,
herói das minhas histórias,
com triunfos e cheio de glórias...
E hoje, passado o tempo,
ficam as minhas memórias....
E a porta, tal como eu,
também envelheceu,
hoje vejo-a abandonada.
Já mal abre, e mal pintada,
mas mantém o seu papel.
Foi a porta dos meus sonhos,
portão do meu quartel.
Quimeras de uma criança,
guardadas com a esperança,
de quem sabe, talvez um dia,
Olhar de novo esse horizonte
sentado à porta do monte
que me deu tanta alegria.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Aqui, neste mar ....

Sim, é aqui, neste mar
que eu te quero encontrar
que eu te quero dizer
o quanto eu gosto de ti....
Que eu te quero ewxplicar
esta falta inexplicável
que fazes em mim.

Sim, é aqui, neste mar
Que me quero entrelaçar
em teus dedos.
E murmurar-te ao ouvido
o mais secreto dos meus segredos.

Sim, é aqui, neste mar
Que te quero abraçar e dizer,
que deste outra razão ao meu viver.
Que nasceste, como a lua, ao anoitecer.
E despertaste uma galáxia
de estrelas cintilantes em mim.

Sim, é aqui, neste mar
que me quero sentar a teu lado
e ficar quieto e calado,
tão apenas a sentir,
como se não houvesse passado,
apenas, o que está para vir.

Sim, é aqui, neste mar
que te quero olhar de frente
e reencontrar novamente
o melhor que há dentro de mim.
E encarar este presente
como um principio sem fim.

Sim, é aqui, neste mar
Que quero voltar a ser criança
como quem sonha e alcança
a sua mais linda quimera
e voltar a sentir esperança
agradecer pela espera.

Sim, é aqui, neste mar
que espero poder responder
ao porquê de te querer tanto.
Porque entraste no meu viver,
estando o meu corpo em pranto?
E agora, sem ti, não sei ser,
és a música do que eu canto.

Sim, é aqui, neste mar
que juntos descobriremos,
o que nos une afinal....
Se o que somos, o que temos,
será mesmo especial...
Ou afinal, porventura,
estarei eu de novo a sonhar???
Mas, sim, será sempre aqui,
neste mar.

Navegar em mim....

Esta nostalgia,
que me cria,
a ondulação do mar.....
Neste vai-vem sem fim,
neste borbulhar,
neste marejar
tal como os dias
que nascem e morrem
dentro de mim.
E as areias, molhadas,
onde se cruzam pegadas,
sem destino, sem direcção,
como perguntas guardadas,
que faço ao meu coração.
E a leve brisa,
que a preceito,
me acaricia o rosto,
e me enche o peito
duma paz que eu gosto.
Procuro-me no azul do mar,
que se confunde com o céu,
e a medo,
em segredo,
procuro quem sou eu.
Escondo a lágrima,
que se diz ser tristeza,
Invento um sorriso,
na minha incerteza,
se quero ou se preciso
ocultar a minha dor
E num gesto impensado
escrevo no chão molhado
o teu nome, com amor.