Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A MAGIA DAS TUAS PALAVRAS

As tuas palavras, meu amor,
São como o sol e a água numa flor,
que desponta ternamente no meu jardim.
São o abrir de janelas fechadas,
de portas há tanto tempo encerradas,
que avistam novos horizontes para mim.

As tuas palavras, meu bem,
pelas quais eu tanto me apaixonei,
Nesse inverso processo de te conhecer.
São como pura e terna magia,
dum sol que faz despontar o dia,
e na calma dum abraço o deixa anoitecer.

As tuas palavras, minha amada,
são como o principio de uma estrada,
que me acompanham e me guiam ao paraíso.
São riachos de água tão pura,
que me molham de paz e de ternura,
no leito traçado pela beleza do teu sorriso.

As tuas palavras, minha querida,
são como unguento numa ferida,
Que cicatrizam e saram a minha forte dor.
São como batimentos vitais,
quando num coma profundo, não há mais,
do que nas veias correndo um puro amor.

As tuas palavras, meu desejo,
São como a suavidade de um beijo,
em lábios beijando-se pela primeira vez.
São ternos toques que a preceito
vão enchendo de loucura o meu peito,
sempre ansioso por algo mais que me dês.

As tuas palavras, sonho meu,
são a melhor frase que me aconteceu,
na poesia que em mim não para de brotar.
São agora, toda a razão da minha vida,
por isso eu quero tanto, minha querida,
ter a vida inteira, ao teu lado, para te escutar.

domingo, 22 de novembro de 2015

SAUDADE ABSOLUTA

Ai, tão grandes que são
as saudades que sinto de ti.
E acredita, nem são do teu corpo,
porque esse, se não o ganhei, não o perdi.
Sinto a falta de te ouvir,
a melodia suave da tua voz.
Faltam-me as tuas palavras,
misturadas com palavras minhas,
no melhor que existe em nós.
Falta-me o riso, que me é tão preciso,
para iluminar o meu dia,
e como pura magia,
me transforma noutro ser.
Esta saudade não é física,
não é um estado de não presença.
É um não sei quê tão esquisito,
que me faz ficar aflito,
nessa espécie de indiferença.
Um vazio que se apodera,
que me rouba ao que não chego...
Uma figura austera,
que me diz que é quimera,
o que eu quero ser aconchego.
Falta-me o sonho, que nem sabes,
que tão só falando me dás.
Falta-me motivo, ser emotivo,
falta-me paz.
É que tudo em mim se preenche,
sentindo-te em permanência.
Mas até as minhas ideias,
e o sangue das minhas veias,
congela na tua ausência.
Nem sequer é o toque, com carinho,
nem a doçura do teu olhar....
É este sentir-me tão sozinho,
sem te ter, p'ra te contar.
Para te falar do banal, do trivial,
do decorrer do meu dia...
Para te falar dum momento, dum tormento
duma dor, duma agonia.
Para falar e ficar sentindo,
que alguém escuta o que eu digo....
Alguém que me sabe ouvir,
e que consegue sentir,
as palavras de um amigo.
Falta-me o teu tempo,
mesmo a pedaços, dedicado a mim.
Pois são abraços, que sem braços,
são perfume de jasmim.
Sem ti, falta-me tudo...
Embora não me queiras assim.
Mas faltas-me, em plenitude,
tão graciosa virtude,
de me fazeres feliz.
Que me importa o que o mundo diz?
Falarão de qualquer maneira....
Eu sinto orgulho em dizer
que és metade do meu ser,
que és a minha fronteira,
ou inequívoca barreira,
entre a morte calada e o meu viver.
És tu, só tu, que me faltas,
para que eu possa acreditar...
Que tudo vale a pena,
que tudo é bonito,
que devo lutar.
Faltas-me, faltas-me tu.
Simplesmente tu.
Falta-me a voz que já não se escuta...
Por isso não te minto,
Se te disser que eu sinto,
uma saudade absoluta.

LÁGRIMAS DE UM HOMEM SOFRIDO

Sim, estou chorando,
mas ninguém me vê chorar.
Pois é por dentro que eu choro.
Algo me vai matando,
e não consigo mais evitar,
o homem que finjo que ignoro.

Perceber, à minha volta,
Uma contínua indiferença
pelo que eu possa sentir.
Cria em mim uma revolta,
que faz a minha presença,
querer deixar de existir.

Choro assim, calado,
por não saber soltar o grito,
que se me prendeu na garganta.
Canto assim, meu fado,
poema de angústias aflito,
que já sequer ninguém canta.

Serei tapete de entrada,
onde todos vão pisando,
e onde esfregam os seus pés.
Eu sou gente, não sou nada,
respeitem quem vai suportando,
Todos os vossos pontapés.

Choro sim, é verdade
porque um homem também chora,
e não é vergonha homem chorar.
Vergonha, na realidade,
é aqueles que indo embora
magoam quem tem de ficar.

Choro, talvez purgando,
porque a dor não se controla,
e o meu corpo já está vencido.
Se eu me vou chorando,
Que sejam lágrimas, não esmola,
Lágrimas de um homem sofrido.






NADA A PERDER

Não se pode perder mais nada
quando já tudo se perdeu...
Numa auto estima mutilada,
que a custo sobreviveu.

Mesmo sem nada, na verdade,
Pouco mais há para tirar.
Resta sempre a dignidade,
que ninguém pode roubar.

Um pensamento escondido,
a sete chaves guardado.
Que num corpo tão ferido,
jamais será roubado.

Damos tudo o que sentimos
sem mais nada querer ter.
Mesmo assim ainda ouvimos,
que nada temos a perder.

Só posso perder o que sinto,
o amor, a fé, a motivação.
Se perder isso, então não minto,
já não terei salvação.

Porque o pouco que tenho agora,
é a corda onde me agarro.
Tudo o resto, vai-se embora,
como o queimar dum cigarro.

Se nada, é esperança no amor,
que me motiva a viver.
Ah, então já nem é dor,
Só tenho nada a perder.

IRÓNICA CATARSE

Oh profeta tirano,
que me rasgas o ser, me fazes pensar....
Que trazes a mim o poeta, que delira,
e me fazes ver a mentira,
do que eu homem, quero sonhar.
Porque me trazes a razão,
quando quero viver em utopia?
Porque me tiras da mão,
essa réstia de alegria?
Porque não posso eu
dar-me ao luxo de pouco querer?
De alimentar minha alma,
com o amor que me acalma,
que me motiva a viver?
Porque me obrigas sempre,
a questionar o meu sentir?
E em cada sentimento,
ter de encontrar um momento,
para parar a reflectir....?
Só me queria deixar ser,
Só me queria em ilusão....
Será que não posso ter
uma breve vontade de viver,
um tempo de sublimação?
Trazes-me sempre a catarse,
demónios de infelicidades.
Como se fosse pecado amar-se
na mais pura das verdades.
E quanto menos eu peço,
para ser um pouco feliz....
Dizes-me que menos mereço,
nesse gesto de desprezo,
mas que mal é que eu te fiz?
Já nem sequer posso amar???
Mesmo sem nada pedir???
Só servirei para dar,
sem nada poder sentir???
E o que peço é tão pouco...
mas tanto seria para mim....
Mas logo me chamas de louco,
me derrubas com um soco,
e ao meu sonho tu pões fim.
E agora? O que me resta?
O que desta vida eu faço?
Farei uma irónica festa,
no vazio do meu abraço?
Para não magoar quem amo,
magoo de novo o meu ser...
deixando partir o que clamo
tudo aquilo que eu chamo
de mais nobre no meu viver.
Volto à vida sem sentido,
caminho, por caminhar...
Porque andarei perdido,
e o meu corpo vencido,
já não vai querer sonhar.
Profeta juiz, eu aceito,
nobremente o meu castigo.
Mas também sinto o direito,
de encontrar outro jeito,
de coabitar contigo.
Quero viver sem catarses,
que me roubam o melhor...
Neste tempo que já vivi,
se uma coisa já aprendi,
é a viver sem amor.

sábado, 21 de novembro de 2015

UMA PROMESSA DE AMOR

Não, eu não te prometo,
nem o sol, nem a lua,
nem nada que não possa dar.
Prometo saciar teus desejos,
prometo-te abraços e beijos,
em mil noites de luar.

Não, eu não te prometo,
nem aneis, nem papeis,
nenhum contrato assinado.
Prometo-te ficar contigo,
ser o teu melhor amigo,
e ficar sempre ao teu lado.

Não, eu não te prometo,
Nem ouro, nem quimeras,
nem aquilo que eu não tenho.
Prometo dar-te alegria,
Prometo levar-te na magia
de um amor sem tamanho.

Não, eu não te prometo,
Conseguir parar a chuva,
evitar tempestades e trovões.
Prometo sempre abraçar-te,
amar-te e apoiar-te
em todas as situações.

Não, eu não prometo,
que a vida seja fácil,
que não possa existir dor.
Prometo-te sim, certamente,
renovar constantemente
minha promessa de amor.


PARTIREI...

Levei a vida inteira de malas feitas na mão,
como nómada errante vagueei de lugar em lugar.
Ficava apenas o tempo em que durava a ilusão,
de que alguém me queria o suficiente para eu ficar.

Nessa busca constante e a fugir do passado,
Longo foi o caminho, dura foi a minha viagem.
E de tanto amar e nunca me sentir amado,
reencontrei-me sempre na minha mais pura coragem.

Como um condenado que cumpre ciente sua pena,
aceitei meu destino, sem sequer me queixar.
Como um actor esperava, paciente nova cena,
e voltava sempre ao palco para de novo actuar.

Mas a vida tão dura, que a mim me foi tão cruel,
quase não me dava tempo, para de novo me erguer.
Quando ainda na boca me sabia amargo a fel,
e já vinha outra dor, outro novo sofrer.

Só a fé me erguia para de novo eu caminhar,
apesar do meu cansaço e da tortura na alma.
Precisava de um ombro onde me encostasse a chorar
onde a dor repousasse, quando o corpo se acalma.

Foi o amor que me deu a força e a esperança,
pensando eu que da vida, algo melhor eu mereço.
Carregando na mala o meu sonho de criança,
por pedaços do sonho, paguei caro seu preço.

E hoje parto novamente sem saber onde vou,
sem saber quanto tempo, nem onde pernoitar.
Levo comigo apenas, ao amor que me dou,
empurrões pelas costas que me fazem andar.

E olhando para trás, tudo o que amei e perdi,
são a força da dor com que me encontro e me sei.
Porque a bem ou a mal, eu sempre me ergui,
e de malas na mão de novo eu partirei.