Poesia, poemas, contos e prosas. Desabafos e pensamentos, angústias e sentimentos. Um pouco de mim....
Novidade
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
IMPERFEITO
segunda-feira, 7 de dezembro de 2020
Abecedário do Amor
Com A eu te escrevo amor,
Com B eu te dou um beijo.
No C te dou meu carinho,
e no D o meu desejo.
É com o E que eu te esperei
e com F em ti eu fico.
Com o G te glorifico
e com H te honrei.
Com o I tu me impeles
e no J és meu jasmim
no K meu Keep Calm
No L és meu latim.
No M és o meu mundo
No N és meu Narciso
No O sou oriundo
do P onde te preciso.
Com Q te chamo querida
Com R minha razão.
Com S serás saudade
Com T minha tentação.
No U tu és a única
No V a minha vida.
No W a minha web
No X és xilogravura
No Y és meu yes
No Z és zimbradura
És mais, muito mais que tudo,
muito além dum abecedário.
Sem ti eu seria mudo,
Com tudo virado ao contrário.
A NOVA POESIA
Os poetas já não rimam...
Não são como antigamente.
Escrevem palavras que exprimam
e que em si próprios redimam,
tudo o que a alma sente.
Excedem-se no que é metafórico,
Para o que é simples dizer.
Num conjunto bem pictórico,
de frases por entender.
Tal como um pintor abstracto,
que solta pinceladas da mão.
Mas depois tem nobre explicação,
para as manchas que pintou,
E encontra um sentido lato
para algo que visionou.
Já não existem Camões,
Já não existem Arys,
Já não se escrevem canções
com os devidos pontos nos is.
Já não há poemas de Espanca,
nem a beleza de Andrade.
Chora triste a saudade,
sem os poetas de outrora
que brincavam com a rima
numa perfeita harmonia
e na métrica de cada verso
compunham a melodia
que entoava no universo
como verdadeira poesia.
Agora todos são poetas.
Todos querem ser fingidores.
Falsos escritores ou profetas,
que sem aptidões concretas,
rabiscam as suas dores,
ou os seus males de amores.
Como quem canta um fado,
e logo se julga fadista.
Num qualquer poema cantado
sem ter alma de artista.
Ah! Como eu gostava de ser
um poeta verdadeiro.
Ando por aqui a escrever
para tentar perceber
se sou um poeta inteiro.
Escrevo a dor que inquieta...
Escrevo a minha melancolia...
Sem saber se sou poeta,
ou sou frustrada poesia.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
NÃO ME LARGUES A MÃO
Não me largues a mão.
Deixa-me guiar-te, atravessar-te a estrada
irei contigo a qualquer lado.
Acompanhar-te na tua longa caminhada
Sendo o teu fiel soldado.
Deixa-me ser sol ou lua cheia,
se acaso te perderes na escuridão.
Ser a bússola que norteia,
a tua débil orientação.
Não me largues a mão.
Deixa-me levar-te e ensinar-te
tudo o que eu já aprendi
Deixa-me mostrar-te e contar-te
os caminhos que eu percorri.
Deixa-me ser o teu afago
o conforto do teu aconchego
Deixa-me ser eu que apago,
algum teu desassossego.
Não me largues a mão.
Deixa-me proteger-te e amar-te
sendo o teu porto de abrigo.
Num mundo que quero dar-te,
sendo teu confidente e amigo.
Deixa-me ser teu herói
tua fonte de sabedoria.
e se algo em ti te dói,
fico eu em agonia.
Não me largues a mão.
Deixa-me dar-te toda a ternura,
e tudo o mais que eu possa dar.
Nessa tão ingrata aventura,
onde te preparo para voar.
Deixa-me ser teu escudeiro,
mesmo que não voltes ao ninho.
Deixa-me ser todo, inteiro,
uma constante no teu caminho.
Não me largues a mão.
Perdoa-me porque eu também falhei,
em escolhas erradas que fiz.
Mas foi porque lutando tentei,
ser outro alguém mais feliz.
Desculpa-me não te ter dado,
mais do que eu te pude dar.
Mas daria a vida de bom grado
para a tua vida salvar.
Não me largues a mão.
Agora sou eu que preciso
que me atravesses a estrada.
Amparado pelo teu sorriso,
a passear de mão dada.
Agora peço eu que me leves,
para brincar no jardim.
Os momentos contigo são breves,
e eu já caminho pró fim.
Não me largues a mão.
Lembra-te que te ofereci a minha,
na tua tão veloz meninice.
Agora em mim tudo se encaminha,
para uma solitária velhice.
Mas não te prendas por mim,
abre as asas, sê feliz e vai.
Se não puderes dar-me a mão no fim
não esqueças nunca que fui teu pai.
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
PERMISSÃO
Permite-me...
Permite-me roubar-te uns momentos
para que me possas ler ou ouvir.
Falando-te dos meus sentimentos,
do meu chorar, do meu sorrir,
explicando-te os meus tormentos,
e tudo o que estou a sentir.
Permite-me que eu tente,
chegar ao teu coração.
Mas para isso te peço,
Permissão.
Permite-me...
Permite-me dar-te um conselho,
porque é do pouco que posso dar.
Porque já caminho para velho,
e foram muitos anos a pensar.
Mas quando em frente ao espelho,
não me consigo encontrar.
Permite-me esta ousadia,
de querer chamar-te à razão.
Mas para isso te peço,
Permissão.
Permite-me...
Permite-me que seja um intruso,
desvendando o teu ser.
Neste jeito que eu sempre uso,
de te tentar compreender.
De transformar o que é confuso,
Em algo simples de dizer.
Permite-me olhar-te nos olhos,
e ler a tua expressão.
Mas para isso te peço,
Permissão.
Permite-me...
Permite-me ficar de mão dada
fazer de ti meu fiel abrigo.
Pois tenho minha vida contada,
para poder estar contigo.
Se não puder dar-te nada,
fica com tudo o que eu digo.
Permite-me morrer em teu peito,
ouvindo o teu coração.
Mas para isso te peço,
Permissão.
Permite-me...
Permite-me que sejas o que resta,
neste meu breve morrer.
Porque eu morrerei em festa,
enquanto em ti eu viver.
Porque de mim o que presta,
foi o que dei para te ter.
Permite-me ser eternamente,
luz da tua escuridão.
Mas para isso te peço,
Permissão.
Permite-me...
Permite-me que a tua presença,
seja o ar que ainda respiro.
Que amar-te não seja ofensa,
mesmo quando me retiro.
Porque querer-te é uma doença,
onde me delicio e me firo.
Permite-me que adormeça,
na palma da tua mão.
Mas para isso te peço,
Permissão.
Permite-me...
Permite-me que cante ainda,
canções que não te cantei.
Porque esta paixão não finda,
nos versos onde te amei.
Como minha princesa linda,
que com meu amor coroei.
Permite-me levar-te na alma,
aos confins da minha solidão.
Mas para isso te peço,
Permissão.
Permite-me...
Permite-me um último olhar,
e um beijo de despedida.
Para que possa no além recordar,
que foste minha essência de vida.
Por isso não te quero a chorar,
na hora da minha partida.
Permite-me ser feliz memória,
a tua mais doce e maior paixão.
Mas para isso te peço,
Permissão.
terça-feira, 24 de novembro de 2020
PALAVRAS
Há palavras que nos beijam doce e suavemente a alma.
Que presenteiam o inesperado como murmúrio em ternura.
Outras há que são como facas cortando a paz e a calma,
que incendeiam o sangue em laivos puros de loucura.
Há palavras que nos acolhem num profundo aconchego,
que nos dizem e dão tanto mesmo sendo tão poucas.
Outras há que banhadas em fel nos lançam desassossego,
como farpas contundentes saídas de incontroladas bocas.
Há palavras simples e puras que nos dão tanto conforto,
que parecem embebidas num manto de ilusão e magia.
Outras há que cheiram à putrefacção de um ser morto,
cravadas no pensamento que sucumba em agonia.
Há palavras que são como flores de um qualquer jardim,
que florescem em nós como um sol de Primavera.
Outras há que despedaçam e trituram até ao fim,
que nos fazem conhecer o lado sombrio da quimera.
Há palavras que nos embalam com tão terna suavidade,
que nos motivam ansiosamente por um novo amanhecer.
Outras há que mesmo transportando a dura verdade,
se instalam em nós e nos impedem de adormecer.
Há palavras sensatas que nos vestem de alento,
que nos fazem visualizar apenas coisas bonitas.
Outras há que criam um rubor de febre e tormento,
e se prolongam nos anos depois de serem ditas.
Há palavras que são como mel e no amor nos modificam,
e nos ajudam a perceber quem realmente amamos.
Outras há peritas na mágoa que por dentro edificam,
motivadoras impunes de quem lentamente nos afastamos.
Há palavras que mesmo que fiquem para sempre caladas,
conseguimos ler atentos na expressão de um olhar.
Outras há que jamais deveriam ser ditas ou faladas,
na insensatez do dizer sem a clivagem do pensar.
Há palavras ingénuas e até gentilmente ignorantes,
e que tão mais facilmente nos ajudam a perdoar.
Outras há que são vis, tão cruéis e tão repugnantes
na sua intenção maléfica de querer ferir e magoar.
Há palavras que sonham e com luz transformam vidas,
e fomentam esperança, amizade, amor e paz.
Outras há que são eternamente arrependidas,
no infortúnio do dito que nunca mais volta atrás.
Há palavras que fecundam como sementes de esperança,
como fermento do querer ou levedura da vontade.
Outras há que nasceram do ódio e da pura vingança,
numa fome e sede insaciáveis de sarcástica maldade.
Há palavras que em metáforas são a mais bela poesia,
de versos cantados ou declamados por qualquer actor.
Outras há que são o epítome da cansativa agonia,
que se cravam na carne e nos dilaceram em dor.
Há palavras que queremos que se derretam na pele,
na brandura do toque tão suave e tão quente.
Outras há que nos vestem por dentro e a alma repele,
por não saber sequer explicar o que se sente.
Há palavras que são as mais belas recordações,
e vão alimentando no tempo essa tão doce lembrança.
Outras há que serão até à morte as piores desilusões,
e se arrastam num querer esquecer que tanto nos cansa.
Há palavras silenciosas que vivem no pensamento,
apenas no cérebro de quem as poderá perceber.
Outras há que se soltam esvoaçando no vento,
na irresponsabilidade daqueles que as ousam dizer.
Há palavras que sendo simplesmente a nossa expressão,
a nossa forma de pensar saída em sons pela voz.
Outras há que nos devem chamar à constante atenção,
das ideias que em palavras saiem de dentro de nós.
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
HISTÓRIA DE UM HOMEM SÓ
A rua já estava calada,
e a noite já tão cansada,
foi-se deitar, adormeceu.
No céu, apenas a lua,
tão serena e toda nua,
testemunha do que aconteceu.
Havia um homem perdido,
pela vida já vencido,
na escuridão vagueando.
Era um homem sem rosto,
marcado pelo desgosto,
dos amores que foi amando.
Nem o corpo sentia o frio,
só na alma tinha o vazio,
de estar velho e abandonado.
Daqueles que tanto amou,
Nem um sequer restou,
para ficar a seu lado.
Como se fosse um pecado,
por na vida ter amado,
dando tudo o que tinha.
São os desígnios da sorte,
resta-lhe agora a morte,
para onde se encaminha.
Olha ainda para trás,
na esperança que a paz,
lhe preencha o coração.
Mas no silêncio atroz,
não há sequer uma voz,
que lhe afague a solidão.
Onde estão tantos amigos,
será que foram inimigos,
sem saber a vida inteira?
Onde está toda essa gente,
outrora de risos contente,
numa qualquer bebedeira.
Onde estão os amados filhos,
que quando metidos em sarilhos,
Ele tantas vezes salvou?
E do tanto que fez de bem,
se ainda resta alguém,
por um seu erro o condenou.
Os anos passaram fugindo,
como um relógio mentindo,
ao tempo que não quer passar.
Hoje vive de lembranças,
de tempestades e bonanças,
onde não pode voltar.
Percorre agora um labirinto,
cansado, sedento e faminto,
prostrado nos braços da dor.
Mas não há água que satisfaça,
nem comida que o faça,
matar a ausência do amor.
Quando jovem, adolescente,
também ele olhou prá frente,
numa vida imesurável.
Mas mesmo vivendo sem pressa,
os ponteiros andaram depressa,
e o tempo não é retornável.
Resta-lhe agora, silencioso,
esse mundo tenebroso,
Duma velhice esperada.
E como que em despedida,
agradece na mesma à vida,
por tão longa caminhada.
Já vai despontando o dia,
o sol pinta com alegria,
a rua que a noite entristeceu.
E nessa luz que encanta,
um pássaro ainda canta,
poemas que o homem escreveu.
Do homem, não há memória,
ficou tão só sua história,
de uma vida banal e comum.
Mas será bom não esquecer,
que está bem poderá ser,
a história de qualquer um.