Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

AMO-TE! SEM MAS NEM PORQUÊS.

 Amo-te! Eu só sei que te amo!

Este sentir indescritível que me aquece a alma,

que me acelera meu já cansado coração.

Essa voz doce e terna que me acalma,

e para o qual eu não encontro explicação.

Amo-te inteira, da cabeça aos pés!

Amo-te assim, tal como és!


Amo-te! Eu nem sei como te amo!

Só o teu rosto ilumina os caminhos que eu piso,

e apenas teu toque conforta os meus momentos de dor.

És o tudo e o nada que deste mundo preciso,

e o pleno e sentido significado da palavra amor.

Amo-te toda! Completamente.

Amo-te assim, inconsciente.


Amo-te! Nem sei o quanto te amo!

Porque o que sinto por ti, não tem escala nem medida,

dos sentimentos que vivi é de todos o mais forte.

O teu existir é em mim, razão da minha vida,

como se a tua ausência fosse a minha própria morte.

Amo-te tanto, meu doce terno!

Amo-te sempre, meu amor eterno!


Amo-te! Dir-te-ei sempre que te amo!

Nessa forma que tens e me encanta de sorrir,

nesse jeito engraçado e delicado ao falar.

E se te vejo triste sou eu que fico a sentir,

uma sensação inexplicável de querer eu chorar.

Amo-te sabes? Já te tinha dito?

Amo-te meu bem, meu amor infinito.


Amo-te! Nem este poema te diz o quanto te amo!

Nem sei dizer o que sinto na ternura do teu abraço,

e como me delicio no carinho dos teus beijos.

Basta ver-te, ouvir-te, tocar-te e todo o meu cansaço,

se transforma num mundo realizado de desejos.

Amo-te louco! Só porque sim!

Amo-te sempre, amor sem fim!


Amo-te! Talvez um dia saibas o quanto te amo!

Rendo-me e confesso que jamais to saberei dizer,

Mas dir-te-ei sempre que te amo sem mas nem porquês.

Porque naquela hora em eu te vi nascer,

afinal fui eu próprio que renasci outra vez.

Amo-te querida! Meu encanto e maravilha!

Amo-te com a vida, como só um pai ama uma filha.


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

O PALHAÇO

 As mãos trémulas, riscavam o rosto cansado,

linhas que já sabiam de cor o seu caminho,

trespassando rugas de outro desenho pintado,

histórias ocultas de um longo passado,

de quem na multidão viveu sempre sózinho.


Silenciosos os momentos naquele camarim,

transformando seu rosto no espelho iluminado.

Na base branca uns toques de carmim,

Uma cabeleira, com careca, e por fim,

Um sumptuoso nariz vermelho abatatado.


E enquanto o fato mal engendrado vestia,

E os sapatos desproporcionados calçava 

O homem de si próprio se despia,

disfarçando no corpo a dor e a melancolia,

que dentro da sua alma transportava.


Ecoavam nos bastidores ruídos ansiosos,

de uma plateia que acredita num sonho profundo.

Por breves segundos ofegantes e nervosos,

colocando a máscara de sorrisos gloriosos,

As tábuas do palco se tornavam seu mundo.


Muito boa tarde minhas meninas e meus meninos.

Por entre uma gritaria em uníssono a entrada triunfal.

Peripécias, malabarismos, desatinos,

Tropeções, ilusões, canções e hinos,

despertando gargalhadas até ao final.


E por entre palavras e frases trocadas,

propositadamente mal percebidas

Desenvolvia as sequências estudadas,

Mas mais eram as parvoíces improvisadas,

soltando o riso e o encanto em jovens vidas.


Ali, mais do que o gosto de ser actor,

alimentava a sua alma e seu coração.

Numa plateia de sorrisos carregados de amor,

por momentos esquecia a sua própria dor,

a até ele acreditava naquela ilusão.


Voltava ao camarim, desfeito, cansado,

num aplauso de encore que não acontecia.

Mas enchia-lhe o peito saber que tinha deixado,

naquele palco antes vazio e calado,

um mundo de sonhos e fantasiosa alegria.


O suor no seu rosto ilustrava o cansaço,

debotando-lhe os traços da preciosa maquilhagem.

Novamente sózinho, o triste palhaço,

sentia-se ainda envolvido num abraço,

daquela tão efémera mas valiosa viagem.


Voltava a ser homem, voltava a ser gente,

O palhaço brincalhão numa mala guardava.

Num recanto da sua alma um sorriso contente,

Era bem mais importante e pertinente,

do que o cachet do qual tanto precisava.


O palhaço nunca mais aos palcos voltou,

Os sorrisos ingénuos nunca mais o viram.

Ninguém sabe, até hoje, onde será que ficou,

O homem cansado, o palhaço abandonou,

Mas o seu coração e alma nunca mais sorriram.


O homem, esse, ainda anda por aí...

Mas do palhaço já toda a gente se esqueceu.

Mas foi desse palhaço que belos momentos vivi,

nessa personagem que construí ,

porque afinal o homem, sou eu.







terça-feira, 10 de novembro de 2020

PAUSA

 A cada dia que passa, morro um pouco.

Não sei se me morre mais a alma,

se me morre mais o corpo...

Ou será um devaneio de estar a ficar louco?

E por estranho que pareça a vida parece parada...

Como um livro esquecido na biblioteca

com a última página arrancada.

Não acontece vida...

Não acontece sonho...

Não acontece nada!

Já não sei o que pensar, o que sentir...

Limito-me apenas a ser, a existir.

E nem um raio de sol me tira da escuridão,

nem uma festa no rosto me aquece o coração.

É como um estranho efeito,

que algures perdeu sua causa.

Será virtude? Será defeito?

Ou será só a vida em pausa?

A vida parece suspensa, mas o tempo ainda corre.

Entretanto vai-se o meu tempo, na vida que em mim morre.

Agarro-me a pequenos sonhos,

a todos os que quero e amo,

Mas afinal nos meus gritos,

É por mim próprio que chamo.

Onde será que eu fiquei?

Onde será que me perdi?

Nas canções que eu não cantei?

Ou nos poemas que não escrevi?

Como num autocarro em viagem, 

não sei em que paragem sair...

Sigo apenas uma miragem,

Mas não encontro em mim coragem,

para sequer me decidir.

Estarei eu em pausa , como a vida?

Introspectivo, em reflexão?

Tentando perceber os caminhos

procurando ser mais forte,

para quando chegarem novos ventos,

possa usufruir dos momentos,

que ainda me distanciam da morte.

Estou em pausa. Estou parado.

Estou sem futuro, sem passado.

Apenas consigo este poema escrever.

Palavras que me atropelam a mente,

e que jamais as saberei dizer.

Ah... Que saudade de um sorriso...

Daqueles em que sorrimos inteiros.

Inteiro, é o que eu me preciso,

seja na plenitude de um riso,

ou nos meus choros derradeiros.

Quem sabe? Talvez um dia....

Nesta minha pura utopia,

Nesta insensatez de profeta...

Se não me chegar a encontrar,

que alguém me possa chamar,

pelo menos , de poeta.



sábado, 7 de novembro de 2020

POEMA DA INQUIETAÇÃO

 Há um não sei quê de estranho que me invade a alma.

Um envelhecer taciturno que nem a poesia acalma.

Há uma vontade de partir, num desejo de ficar,

há um esgar de um sorrir, num contido chorar,

há um silêncio em segredo, que não se quer conter,

há uma angústia, um medo, na coragem que necessito ter.

Há em mim sentimentos escuros que me toldam a razão.

Um não perceber quem sou que me provoca inquietação.

Há uma réstea de um sonho, uma pálida esperança.

Há uma semente que eu ponho a germinar na bonança.

Há uma voz que me diz, para aceitar a realidade.

Há um não saber ser feliz, ou se há felicidade.

Há o passado que atormenta, mesmo que ultrapassado.

Há um presente que me tenta, para um futuro desejado.

Há palavras na minha boca, que se colam como beijos,

Há uma vontade louca, de satisfazer meus desejos.

Há um querer crescer constante, na vontade de ser melhor.

Há um querer ser amante, e entender o amor.

Há um tanto e há um nada, que se misturam em mim.

Há um pranto uma gargalhada, incoerentes e sem fim.

Há um desejo de escrever, que se torna incontrolável.

Há um não saber dizer, ou sentir o que é palpável.

Há um silêncio, quase mudo, nos gritos que ainda dou.

Há um querer ser tudo, do nada que afinal eu sou.

Há a falta de um abraço, de um beijo, de um abrigo.

Há a falta de um espaço, a falta de um amigo.

Há as saudades e as dores, daqueles que já partiram.

Há os jardins sem flores, de amores que não floriram.

Há um mundo com um porquê, que não sei perceber.

Há uma multidão que não me vê, e eu nem me estou a esconder.

Há um anoitecer sombrio, de um dia que talvez vá chegar.

Há ainda um lugar vazio, para quem quiser ficar.

Há poemas inquietos, rimas que se conjugam.

Há os que são incorretos, e sem me conhecer me julgam.

Há por fim, um olhar os ponteiros, vendo o tempo a passar.

Há em mim, sentimentos derradeiros, ao não saber que pensar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

TEMPO SEM TEMPO

Houve um tempo,

Em que o tempo tinha tempo,

para saborear o vento,

para medir a palmo,

a imensidão do mar.

Houve um tempo,

Em que os homens sonhavam,

e as crianças plantavam,

sorrisos no seu brincar.

Houve um tempo,

Em que os cantores cantavam,

e os músicos tocavam,

inspiradas melodias.

Nesse tempo, 

ninguém deu valor ao tempo,

Julgou-se que ele era eterno,

E qualquer gesto meigo ou terno,

ficava sempre para depois,

Havia tempo para os abraços,

que ficavam esquecidos,

Havia tempo para os beijos,

que não se davam, vencidos,

Havia tempo para tudo,

quase tudo,

Até havia tempo para o amor...

Mas vivia-se tão depressa,

correndo e sempre à pressa,

Que pouco se aproveitava,

do que o tempo nos dava,

e fingiamos não perceber

do tanto que perdíamos,

nessa vida por viver.

Houve um tempo,

um longo tempo,

Em que os pais e os avós,

sentiram falta de nós,

É nós não tivémos tempo,

para o nosso tempo lhes dar.

E agora, 

que o tempo rouba tempo ao tempo,

choramos a saudade

de não os podermos beijar.

Os filhos pediam aos pais,

um pequeno tempo para brincar,

Mas havendo tempo a mais,

nunca havia tempo,

apenas desculpas,

de não haver tempo para parar.

Depois, veio outro tempo,

e ficámos até sem saber,

o que com esse tempo fazer...

O tempo mudou as rotinas,

como em vidas clandestinas,

fomos obrigados a viver.

Um tempo sem noite,

Um tempo sem dia,

Tempos de agonia,

Tempos de um não viver.

Só então se percebeu,

que o outro tempo que se viveu,

tinha tanto de errado.

Porque tendo tanto tempo,

vivia-se sempre sem tempo,

enquanto a vida passava ao lado.

Fizeram-se então promessas,

de acabar com as pressas,

Quando o tempo voltasse atrás...

Como se o tempo fosse moldável,

um relógio, regulável,

que pudesse andar para trás.

Gastámos tanto tempo,

a entender que o tempo,

É um espaço de cada um.

Dentro de um tempo comum.

São os pequenos tempos,

que fazem do nosso tempo,

um tempo muito melhor.

São escolhas que fazemos,

os tempos que vivemos,

porque o tempo que não escolhemos,

É sempre bem pior.

Hoje, não sei se o tempo tem tempo,

somos destinos em pausa,

somos sonhos sem causa,

numa roleta da sorte.

Somos um tempo parado,

sem futuro nem parado,

Entre a vida e a morte.

Mas neste tempo sem tempo,

há que encontrar a razão,

do tempo que vivemos assim.

O pormenor, o momento,

o sol, a chuva e o vento,

o amor que nos dá alento,

São o nosso melhor tempo,

antes que o nosso tempo tenha fim.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

ALENTO

Há em mim um não sei quê de esquisito,
Há um grito silencioso e aflito,
Incapaz de dizer ou de falar.
Uma amálgama confusa de sentimentos,
Um indecifrável turbilhão de pensamentos,
Como se a noite viesse para perdurar.

Os sonhos, que há muito já partiram,
nas agruras dos dias se diluiram,
Sendo agora a miragem de eternos desejos.
Erroneamente não sei o que me conduz,
Se nem no fundo do túnel vejo a luz,
Como posso das palavras fazer beijos?

Sinto-me gasto, cansado e ferido,
Como se estivesse perdido,
Dentro do ser que há em mim.
Procuro-me naquilo que eu era,
Como um sol sem Primavera,
num Outono que não tem fim.

Restam-me as palavras que rascunho,
Em jeito de um testemunho,
de tudo o que estou a sentir.
Para disfarçar a verdade,
na esperançosa eventualidade,
de alguém as querer ler ou ouvir.

Como posso saber do que sou feito,
se fui tantas vezes refeito
às circunstâncias da vida?
Como se encontra a bonança
numa constante mudança
leviana e indefinida?

Tantos caminhos, tantas estradas,
foram tantas encruzilhadas,
em que o destino me colocou.
Tantas lágrimas escondidas,
nas noites tão mal dormidas,
que o sofrimento secou.

Mas teimoso, segui viagem,
nem sei com que coragem,
pois só queria desistir.
O amor! O amor foi a razão,
pela qual meu coração,
tentava ainda sorrir.

Mas estou farto, cansado,
de tentar esquecer o passado,
e construir um novo eu.
O que não mata, desgasta,
e apetece dizer basta,
à vida que me venceu.

Eu nem me sei já exprimir...
Oh vida! faz-me sorrir,
traz-me sorrisos no vento.
Sei que pareço um louco,
Mas só te peço mais um pouco
de paciência e de alento.




domingo, 11 de outubro de 2020

Não me perguntes quem sou...

Não me perguntes quem sou!

Não to saberei dizer.

Talvez pedaços soltos de mim,

Como um puzzle que não tem fim,

num constante refazer.

Sou como pedra de calçada 

que farta de ser pisada

já está gasta e polida...

Sou como a velha canção 

da qual só lembram o refrão 

já sem essência de vida.


Não me perguntes quem sou!

Não to saberei explicar.

Talvez seja um pedaço de terra

Uma árvore no meio da serra,

Uma onda à beira mar...

Não sou quem vês à tua frente,

Já não sonho como antigamente,

Nos braços da ingenuidade...

Sou agora desgosto contido

Sou como um lobo ferido,

Na percepção da realidade.


Não me perguntes quem sou!

Não to saberei exprimir.

Sou como um Deus sem dom,

Sou como sorriso sem som,

Sou flor que não pode florir...

Não sou aquele que vejo ao espelho

Que bem mais cansado e velho,

Os anos de rugas pintou...

Sou eterno poeta delirante,

Sou jovem crente e amante,

Que a vida castigou.


Não me perguntes quem sou!

Não posso nem saberei responder.

Quem sabe eu seja um louco,

Que de tanto viveu tão pouco,

do que realmente queria viver...

Sou o espanto do que vou ouvindo,

Do que vou vendo e vou sentindo,

Nesta sociedade tão perdida...

Sou por isso um angustiado,

por ver o mundo dominado,

pela falta de valores de vida.


Não me perguntes quem sou!

Não quero falar mais de mim.

Como queres que mais eu diga,

Quando é tão grande a fadiga,

ao aproximar-me do fim...

Sou o resto dos tantos quase

Sou o rosto de tanta fase,

do feito e do que não fiz...

Sou o fruto do meu passado,

Sou finalmente amado,

e só isso me faz feliz.


Não me perguntes quem sou!

Não creio que vás entender.

Sou um guerreiro do azar sem sorte,

Que vendo chegar a morte,

quer ainda mais viver...

Sou a calmia dos ventos,

Sou a inquietação dos pensamentos,

Que não me deixa descansar...

Sou um apreciador dos momentos,

Que efémeros e lentos,

Me fazem ainda sonhar.


Não me perguntes quem sou!

Não te interessa quem eu seja.

Sou da tristeza um poeta,

Da felicidade um profeta,

Do abraço , quem deseja.

Sou um todo um quase nada,

Já perto do fim da estrada,

E não sei para onde vou...

Quando olho agora para trás 

Só quero seguir em paz

Sem nunca saber quem eu sou.