Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

sábado, 9 de janeiro de 2016

O TEU CORPO

O teu corpo é um mar,
onde as minhas mãos são como gaivotas cansadas,
e desesperadas querem poisar.

O teu corpo é um jardim,
onde os meus beijos são como borboletas ao vento,
num momento perfumado de jasmim.

O teu corpo é um deserto,
onde eu caminho perdido em felicidade errante,
louco amante do tudo tão perto.

O teu corpo é um paraíso,
onde o meu suor vai escorrendo quente em tua pele,
loucura que impele meu solto riso.

O teu corpo é uma lua,
onde os meus olhos se perdem nessa tão doce luz,
luar que seduz ao desenhar-te nua.

O teu corpo é um oceano,
onde eu naufrago e fico sem destino e sem rumo,
em homem me assumo quase insano.

O teu corpo é um favo de mel,
onde eu quero ser abelha em constante ir e voltar,
num eterno beijar suave da tua pele.

O teu corpo é um mundo,
onde eu viajo e exploro todo o seu esplendor,
paisagens de amor como pano de fundo.

O teu corpo é a vida,
onde eu me reencontro e me perco e renasço,
meu breve espaço, minha guarida.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Não me chegam as palavras.... (carta de amor)

Amor, eu hoje quis tanto dizer que te amo. Mas não sabia como, de que forma o dizer, de como usar as palavras que me vão parecendo gastas nas inúmeras tentativas de te explicar o que sinto. Amo-te, parece-me pouco, e apesar da grandeza do significado desta palavra, não realiza a minha vontade de te conseguir exprimir na totalidade os meus sentimentos. Fica curto, fica sempre àquem do que desejo, porque me parece impossível transmitir numa só palavra a beleza, a imensidão,  a profundidade destas sensações que dominam todo o meu ser e todos os meus sentidos.
Dizer que te amo muito, eu sei que é bonito, é puro, é sincero, mas chega até a parecer-me banal perante tudo o que o meu corpo sente e a minha alma me diz. E tu respondes que já sabes, que eu já te disse mil vezes, mas o que tu pensas que sabes é apenas o que as palavras dizem na sua leal transcrição, e as mil vezes que eu o diga nunca serão vezes suficientes para mais te fazer compreender, que o que eu sinto, as palavras não conseguem alcançar.
Como posso eu explicar-te em palavras o que sinto quando te vejo? Aquela sensação inexplicável de encontrar uma parte fugida de mim, um outro corpo, que não sendo o meu, parece que ao meu pertence, e que aí, então sim, meu corpo completo, sente nas veias o latejar do sangue que fervilha de excitação pelo simples facto de te ver.
Como posso eu explicar-te em palavras o que me provoca o teu sorriso? Essa tua alegria que me alegra, esse iluminar do teu rosto que me ilumina, esses lábios que sorrindo na tua sensualidade me provocam constantemente no chamamento de um beijo, e eu fico apenas te olhando maravilhado vendo-te na beleza, na pureza do teu sorrir, como se ficasse petrificado perante um Deus surgindo num qualquer altar e eu sem nada conseguir dizer.
Como posso eu, meu amor, explicar-te em palavras, o calor do teu abraço? Ali, onde os corpos se colam, e os meus braços te envolvem, onde te percebo completamente desenhada em minhas mãos, onde te dás em aconchego que procura protecção, e ficas quieta, na demora que se comtempla em plena satisfação.
Como posso eu, meu amor, fazer com que as palavras digam por mim, como és presença constante no meu despertar madrugador, e que a felicidade de apenas pensar em ti se mistura na angústia saudosa de não te ter ao meu lado, de sorrir, por te lembrar, mas entristecer ao ver o espaço vazio na minha cama que eternamente espera o teu calor.
Como te direi, com palavras, que os meus dias são vividos pensando em como vives os teus, que fazes no Inverno um dia de Primavera com um simples contacto teu, e que ouvir a tua voz em momento inesperado é como se caminhos se abrissem onde nem sequer existiam apenas para eu passar correndo na tua direcção, como se todos os jardins florissem de repente dando colorido à minha vida tão sequiosa de ti.
Como posso dizer-te, meu amor, com palavras, com simples palavras, que a noite, sendo tão triste na tua ausência, é alegria na ansiedade da longa espera do dia na tão remota possibilidade de eventualmente falar contigo, de me sentir mais perto sabendo que não te posso alcançar, vivendo a intensidade em cada segundo de partilha, de palavras, apenas palavras, aquelas mesmas palavras das quais eu me queixo de nada conseguirem de mim dizer.....
Talvez, meu amor, talvez. Talvez as palavras de nada valham...... mas são elas que me restam e a única forma que tenho para tentar chegar cada vez mais dentro de ti..... Porque não tenho um beijo, onde te possa beijar, e deixar em teus lábios a ternura e o carinho que te possa fazer sentir, porque não tenho o teu corpo, para simplesmente te amar, e não precisar de palavras no silêncio da paixão excitante de acariciar, viver e sentir, cada pedaço teu, numa orgia dos sentidos, da fantasia, da imaginação, perdendo-me completamente de mim para ser teu apenas, e tu só minha, dedicando todos os momentos num querer tanto fazer-te feliz.
Será sem palavras, minha querida, que um dia eu te direi o quanto te amo. Só eu, e tu, entenderemos esse momento, porque olharás no meu olhar e conseguirás ler a minha alma, o mais profundo do meu ser, e nesse dia irás então perceber melhor que as palavras não chegam, nem nunca chegarão, para dizer tudo o que realmente eu sinto por ti.

ALEGORIA SARCÁSTICA AO AMOR

Amor??? Para que serve o amor na vida?
Se ele não alimenta, não é comida,
não enche a barriga, não satisfaz....
O amor é como pedra no calcanhar,
que implica e não nos deixa andar,
que não nos dá calma nem paz.

Com o amor ninguém paga a renda,
não serve para troca numa venda,
não paga compras do supermercado.
O amor é uma moda já muito antiga,
tema de qualquer trova ou cantiga,
que agora já nem sequer é cantado.

O amor é puro devaneio dos loucos,
que se vão consumindo aos poucos,
dentro dessa contagiante loucura.
Amor é caminho sem sentido,
é corpo constantemente ferido,
em sofrimento e em tortura.

Com amor não se pagam viagens,
são constantes e cansativas paragens,
nesta pressa de querer tanto viver.
O amor é cão vadio, moribundo,
que anda pelas bocas do mundo,
porque nada mais há para dizer.

O amor não é cheque que pague hotel,
É um amargo sabor do fel,
que perdura e se farta na boca.
O amor é desvio do que é mais certo,
é ficar mais longe do perto,
é escolha de gente tão louca.

O amor nunca será um sorriso,
porque amar não é nenhum paraíso,
como querem por aí fazer crer.
O amor é dor crónica e constante,
no corpo de quem se diz amante,
mas passa toda a vida a sofrer.

O amor só pode ser um sarcasmo,
nunca poderá ser um orgasmo
explosão da vida em sentimento.
O amor é triste e pura fantasia,
que nos consome em agonia,
que nos devora em tormento.

O amor, só serve bem na pobreza,
porque é a única riqueza
que um pobre consegue ter.
Oh amor, tu só podes ser piada,
porque mesmo quem não tem nada,
Diz sem ti não querer viver.

TANTA GENTE E NINGUÉM....

No areal da praia, já não encontro o meu mar,
apenas areia molhada, como lágrima cansada,
numa noite inteira a chorar.
Já não há sol brilhando na água em prata,
que vai aquecendo a vida num terno calor.
Há apenas o silêncio, que tortura e mata,
há impaciência, há desgosto, há dor.
Ausência que se avoluma, em realismo,
corpo desequilibrado à beira do abismo.
Já não há nada, não há tempo, não existo...
Sou página de livro não lido,
que à fúria do tempo não resisto.
Os ponteiros do relógio persistente,
que teimam em querer parar....
Ali, na multidão, tanta gente,
e ninguém me vê chegar.
Há uma gaivota que passa gritando,
talvez também procurando o meu mar...
Há um coral, se desfazendo,
como um sonho que vai morrendo,
por já não saber sonhar.
Há tanta gente que passa apressada,
numa pressa que eu nem entendo....
Gente sorrindo, fingindo, não compreendo.
Parecem meros figurantes,
dum filme da vida em comédia....
Tanta gente, tão diferente,
não há amantes, só tragédia.
Já não posso deitar-me e tapar-me com a água,
das ondas que vinham cobrir-me de sal.
Fiquei tão só, mergulhado na mágoa,
na inquietação infinita dum solitário natal.
E nem sei se as vozes que oiço chamando,
estão na verdade a chamar por mim....
porque as pessoas passam e eu vou ficando,
nas lágrimas contidas que nem vou chorando,
mas que se acumulam sem fim.
Já nem vejo o meu mar, na noite se escondeu.
E não me interessa essa gente, que vai e que vem....
Eu sou filho do vento, sou só sofrimento,
para quê tanta gente se eu não tenho ninguém.


A ÁRVORE SOLITÁRIA

No alto daquela serra, frondosa e verdejante,
onde Pena e Mouros são eternos guardiões.
Existe uma árvore, crescendo isolada,
e bem junto de si uma pedra gravada,
guardando no tempo breves inscrições.

Sentinela vigilante no cimo da serra,
Vendo e ouvindo calada o que o mundo diz.
Seu tronco tão firme, erecto e tão forte,
natureza criada nascida da morte,
das cinzas de um homem que são sua raiz.

Quem a tempos, ali passa e a vê tão altiva,
desconhece seu segredo macabro mistério.
Dois ramos, como braços abertos de madeira,
abraçam ternamente um pé de roseira,
de rosas fugidas a um qualquer cemitério.

São rosas vermelhas de sangue tingidas,
que vão nascendo no ano em qualquer momento.
São corações em pétalas que então vão caindo,
e a terra húmida aos poucos vão cobrindo,
como um manto bordado no seu sofrimento.

Outras árvores mais perto que já ali estavam,
quando esta foi plantada em gesto de ternura.
Acabaram morrendo de fome e de frio,
e em seu redor deixaram apenas o vazio,
simbolismo da vida em solitária sepultura.

Ela cresce lentamente e já toca no céu,
Como mão estendida para alcançar uma estrela,
que no dia apagado pela calma noite cintila,
olhando para a serra do paço da vila,
já todos agora conseguem então vê-la.

E ali continua firme aquela fiel eremita,
que de dor e morte nascida, pelos anos se ergueu.
Contam-se agora, pelas bocas, histórias,
como lenda contada em infindáveis memórias,
mas ninguém sabe ao certo, que aquela árvore sou eu.

domingo, 27 de dezembro de 2015

O amor é mesmo assim.....

O amor é mesmo assim....
É um estado de ser e não ser,
é morrer querendo viver,
é chorar querendo sorrir,
é ficar querendo partir,
é dor enquanto alegria,
é noite nascendo em dia,
é grito em garganta calada,
é canção nunca cantada,
é calma na inquietação,
é tristeza na alegre emoção,
é boca sedenta de beijo,
é abraço vazio em desejo,
é luar na escuridão,
é sangue sem coração,
é tempo em relógio parado,
é futuro sem ter passado,
é fraqueza resiliente,
é espera impaciente,
é sonho sem fantasia,
é amargura em pura orgia,
é força sem ter coragem,
é voltar só de passagem,
é sentir sem sentimento,
é fugir num só momento,
é agonia em paciência,
é burrice em inteligência,
é poema sem poeta,
é profecia sem profeta,
é certeza na ilusão,
é antagónica contradição,
é arco iris sem cor,
é roseira sem dar flor,
é ficar sentindo saudade,
é paz na ansiedade,
é principio e fim da estrada,
é um tudo e não é nada,
é um não querendo um sim,
o amor é mesmo assim.

sábado, 26 de dezembro de 2015

PARTIDA, SEM QUERER PARTIR

Não, não procures mais por mim,
já não me vais encontrar,
à mesma hora,
esperando por ti,
no mesmo lugar.
O cigarro já ardeu,
e eu,
não pude mais esperar.
Estou cansado, então parto,
mesmo querendo ficar.
O teu telefone, calado,
não tem o toque constante,
de quem não sendo amado,
apenas quis ser amante.
Já não serei empecilho,
serei página volvida...
Seguirei, novo trilho,
embora siga sem o brilho,
que deste à minha vida.
É o tempo que me diz,
que não tens tempo para mim...
Não é meu tempo de ser feliz,
mas tudo o que eu mais quis,
foi negar sempre este fim.
Sim, eu parto,
mas vou triste, sou sincero.
Antes de ser rejeitado...
porque sei que não me quero,
não me sentir desejado.
Ou saber até em segredo,
que me desejas com medo,
nessa forma tão decidida,
em que vives tua vida.
Não estarei mais aqui....
Não sei onde vou estar....
Apenas parti, sem voltar....
Levarei, é verdade, o teu rosto,
não consigo deixar de o ver...
Ele tem tudo o que eu gosto...
Coisas que ninguém vai entender...
O teu olhar, o teu sorriso,
tanta falta me farão
Eu sei que pouco preciso,
mas terei de dar juízo,
ao meu louco coração.
Partirei, de novo sozinho,
mas nem sei qual o caminho,
pelo qual eu vou seguir....
Vou deambular pela sorte,
e se me cruzar com a morte,
dela não irei fugir...
Porque nada me faz sentido...
Já perdi tudo o que tinha,
e o que nunca cheguei a ter.
Ando na vida perdido,
sem motivo para viver.
Não quero as tuas lágrimas,
não quero ser tua dor...
Quis tanto ser o teu mundo,
quis apenas lá no fundo,
ser o teu maior amor.
Mas a vida nunca é,
o que queremos que seja....
Eu vivi a pontapé,
se por graça fui José,
não fui gente que se deseja.
Não interessa, nada importa,
nesta hora de partida....
Custa sim fechar a porta,
A minha alma não está morta,
apenas me morreu a vida....
Ao ter de me convencer,
que nada há a fazer,
só me resta a despedida.
Não me servirá de consolo,
se um dia te aperceberes,
no meio dos teus afazeres,
que alguma falta te faço....
Porque já não poderei receber,
o calor do teu abraço.
Se desejares sentir-te,
amada como eu te amo,
porque não te vejo,
já não te chamo.
É hora de partir,
hora de dizer-te adeus...
Meu comboio está a chegar....
Que eu tenha força meu Deus,
para conseguir virar costas,
sem que me vejas chorar.
Parte de mim já partiu,
Outra parte aqui ficou,
Foi só dor que meu corpo sentiu,
mas afinal aqui estou.
Sou um todo corpo aberto,
vem, por favor, p'ra te sentir...
Porque estou cada vez mais certo,
que enquanto te tiver por perto,
não mais quererei partir.