Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

domingo, 10 de abril de 2011

Despertar em.... mim!


Ontem, a noite adormeceu mais cedo. Talvez estivesse cansada ou tenha aproveitado o silêncio que se fazia sentir. Um silêncio tão puro que merecia ser vestido com o som de um piano tocando o Concerto de Colónia. Mas não! Era um silêncio purissimo! Nem as estrelas se ouviam.... e talvez por isso a noite deixou-se embalar num sono profundo.

Mas eu, eu não conseguia dormir! Vigilante e atento, mantinha-me desperto com receio da noite acordar! Ali estavamos: eu... e a noite! Cheguei até a cantar-lhe baixinho canções de embalar que outrora aprendi. Depois, deixei que o silêncio me invadisse também, e até por breves momentos os meus pensamentos se calaram. E nesse total silêncio, encontrei um pedaço de mim que há muito tempo se tinha ausentado, talvez por força das circunstâncias, da vida vivida à pressa, do tempo que tempo não tem, do relógio que não pára ou que só pára quando não deve parar. Talvez a rotina e o cansaço dos dias tão cheios de tudo e tão vazios de prazer, me tenham roubado esse pedaço que outrora me completava na tentativa utópica de encontrar a plenitude de um estado de alma tranquilo e coerente.


Para dizer a verdade, achei estranho esse regresso inesperado, de algo que por vezes me fazia sentir mais homem e outras vezes redesenhava os caminhos do meu destino, do meu querer inscontante. Contudo, deixei-me ficar. Deixei que essa outra parte de mim se explicasse e me dissesse o porquê de voltar, assim, no silêncio, com a noite a dormir.....


Estaria eu a sonhar? Não, porque o sonho não vem assim, nem me faz sentir este aperto no peito de quem não encontra jeito de se aceitar. Estaria eu delirando? Mas que doença me daria tal febre de delirio permitindo tamanha e tão pura lucidez?


Nada fiz, e deixei-me levar aceitando essa sensação estranha de algo que me rasgava a pele e me dilacerava a carne, mas que em simultâneo me tranquilizava e me dava espasmos de prazer indefinido.


... Não sei como.... devo ter adormecido! E eu que devia tomar conta da noite.... Acabei por adormecer na noite que tão profundamente estava dormindo.


Hoje, quando acordei, já a noite tinha acordado e se tinha vestido de dia radiante. E eu, apenas eu, era um todo em mim. Era mais do que tinha sido, sendo uma gota de água sentia-me um mar, como se os meus braços fossem asas e pudesse voar livremente pelo meu imaginário, sem medo de conceitos ou preconceitos estabelecidos por conveniências comportamentais e sociais, era eu. Eu! Tão EU!


Essa sensação de plenitude e de liberdade encheu-me o peito de vida e olhei o mundo com outro ver! Provavelmente percebi que não vale a pena viver em hipocrisia, que não vale a pena esconder metade do que sou porque eu só sou se fôr inteiro, com toda a verdade do meu ser, dos meus erros, dos meus defeitos, das minhas virtudes, com as minhas lágrimas e os meus risos, com o meu passado e o meu presente riscando um futuro incerto, com as minhas opiniões e os meus pensamentos, quer sejam aceites ou não, mas que afinal demarcam e distinguem-me de todos os outros, por ser simplesmente.... EU!

sábado, 9 de abril de 2011

Breve constatação


De nada servem minhas mãos,

se eu não te puder agarrar.

De nada servem meus dedos,

se não forem para te tocar.

De nada servem meus olhos,

se eu não te puder ver.

De nada serve minha boca,

se nada te puder dizer.

De nada servem meus braços,

se não forem para te abraçar.

De nada servem meus lábios,

se eu não te puder beijar.

De nada servem minhas pernas,

senão para correr para ti.

De nada servem meus ouvidos,

se não ouvirem palavras ditas por ti.

De nada serve o meu corpo,

se não estiver fundido no teu.

Então se não estiveres comigo,

afinal para que sirvo eu?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Olhar da Ausência...


Olhei, e não te vi em mim!

Não te vi no meu espaço, no meu horizonte.

Não te vi em meus braços, não te vi em meu peito.

Simplesmente, não te vi!

E se olho e não te vejo,

mais me inquieta esse desejo,

de querer ver-te, de dar-te um beijo...

Mas olhei, e não te vi....

E o meu olhar turvo de lágrimas,

de incansável saudade e procura,

já não vê os teus gestos de ternura,

já não vê o teu riso e doçura...

já não vê a tua insaciável loucura...

E de estar tanto sem te ver,

quase que meu olhar prefere morrer!

Olhei, e não te vi....

E nem nos meus sonhos te encontrei...

E os meus olhos, sem a luz do teu olhar,

perdem-se em caminhos noctívagos ao luar.

Porque sem ti sou como um cego errante,

Sem te ver, sou apenas um lugar vazio!

Sem te ter, sou apenas um corpo frio!

Sou do amor um efémero amante.

Mas no dia em que te puder ver,

quando o meu olhar se encontrar no teu,

Retomarei então a minha existência,

e talvez perceba que é apenas por amar-te tanto,

o olhar da ausência.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Palavras poema, Saudades canção

Ah, meu amigo! agora já não te vejo!

Mas senti vontade de ainda te dizer,

que as despedidas aumentam o desejo,

que a alma vive, depois do corpo morrer.


Porque quando alguém se ausenta de nós,

e deixa ali por preencher o seu espaço

Dentro da cabeça ecoa ainda a sua voz,

e no corpo sente-se ainda o seu abraço.


Porque só se morre verdadeiramente,

para quem na vida, nada por nós sentiu.

Mas continuaremos a estar presente,

Para quem nos amou mesmo se não nos viu.


Por isso te agradeço ainda a tua amizade!

Tua mão estendida, teu gesto de amigo!

Tuas palavras sábias, tua verdade,

toda a paciência que tiveste comigo.


Lembro com saudade o teu sorriso!

Recordo a tua sempre boa disposição!

Como se para viver fosse apenas preciso,

Um palco, um microfone, uma canção.


A alma e o charme que punhas na voz!

O sentir cada palavra poema que cantavas!

Entoarão para sempre entre nós,

entre todos aqueles aos quais te davas.


Não choro por ti, perdoa-me, prefiro sorrir!

E dizer-te aqui escrevendo, obrigado amigo!

Cantarei por ti, mesmo que não possas ouvir!

Senhoras e senhores, o grande Al Rodrigo!


Dedicado ao meu grande amigo

e companheiro de canções

que já não está presente ,

que me incentivou na arte

de cantar desde a primeira hora !

Com ele aprendi

os primeiros passos desta profissão

observando a sua mestria

e o seu savoir faire.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Eternamente


Se fôr eterno o ardente desejo de viver e de sonhar...
Se fôr eterna a calma aceitação da morte...
Eternamente poderei chorar, a minha triste sorte.

Se fôr eterno o sabor que fica nos lábios sabendo a beijo...
Se fôr eterna a sensação de meu corpo nu abraçado...
Eternamente cantarei meu desejo, ainda que cansado.

Se fôr eterno o sangue gélido que me seca nas veias...
Se fôr eterna a razão de um dia não poder mais ser...
Eternamente defenderei estas ideias, sem as compreender.

Se fôr eterno o aconchego do teu corpo suado em mim...
Se fôr eterna a sede de em ti me querer pernoitar...
Eternamente adiarei deste amor o fim, para sempre te amar.

Se fôr eterno o receio de me perder algures na escuridão...
Se fôr eterna a luz do teu olhar no meu caminho...
Eternamente saberei de antemão, que não estou sózinho.

Se fôr eterno esse sorriso que não me deixa chorar...
Se fôr eterna essa lágrima que tantas vezes esconde meu riso.
Eternamente rirei sem parar, chorando se fôr preciso.

Se fôr eterno este sentimento de não querer perder o que sou...
Se fôr eterna esta vontade de ficar a viver em mim...
Eternamente negarei a quem chamou, à morte o fim.

Se fôr eterno este anseio de delirar em forma de poesia...
Se fôr eterna a palavra que me descreve em puro acaso...
Eternamente me excitarei nesta orgia, de escrever sem espaço.

Se fôr eterno o epitáfio escrito por quem não me conheceu...
Se fôr eterna a mentira de quem me conhece mas não me sente...
Eternamente seja então o mundo de orfeu, que minha alma não será gente.

terça-feira, 15 de março de 2011

As palavras que não escrevi....


Deixei passar o tempo,
correram noites, correram dias e quase me esqueci,
de usar as palavras para te contar o que fiz,
para te dizer o que ainda faço aqui.
para te dizer o que sinto ou até o que não senti.
Para te contar histórias de amor,
para te falar de momentos de dor. . .
mas se nada te disse, nada te contei,
onde andava eu perdido?
O papel ficou em branco, a caneta já não escreveu,
as palavras calaram-se, o poema não apareceu,
e o vazio, só podia ser eu!
Que caminhos me levou a vida?
Que tormentas? que paixões?
Que sonhos me deram guarida,
que poeta de ilusões?
Deixei vaguear minha mente,
e por aí me fui perdendo!
Pela vida fui-me arrastando...
Mas agora ouço vozes caladas que estão chamando,
como aves engaioladas que voam pelos céus gritando.
Será que chamam por mim?
Será que já te posso contar?
Falar-te no escuro silêncio dos meus medos,
murmurar em gritos meus eternos segredos,
e deixar escorrer por entre meus dedos
fios de desejos já ressequidos,
e meus olhos fechados de cansaço feridos
de tudo a que foram obrigados a ver
ao triste abandono a que me assisti,
e tentar então dizer-te quem fui, quem sou,
talvez com palavras que jamais escrevi....

16/3/2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Entardecer...


Dou por mim a medir no tempo,
o tempo que já não tenho,
procurando no passado o alento,
que me conforte o pensamento,
pois do futuro não sei o tamanho.
Será curto? Será longo?
Que será o meu porvir?
Que me espera para lá dessa porta,
ao fim dessa estrada ingreme e torta,
que jamais poderei abrir.
Que me interessa longa vida?
Se for mais tempo a não me encontrar...
Será melhor só mais um dia,
pleno de loucura e fantasia,
onde me possa deleitar.
Que me interessa saber mais,
por quanto mais tempo viver...
Serão mais felizes os sábios?
Sentirão eles nos lábios,
o eterno sabor do prazer?
É que eu quanto mais sei,
mais me sinto insatisfeito!
Mais percebo o que não dei...
Mais entendo que não acalmarei
esta inquietação em meu peito.
Quase ao anoitecer... entardeço!
Embora a luz se faça em mim!
E se partir? Será que mereço?
Um simples gesto de apreço,
um singelo aplauso de fim?