Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Porta entreaberta

A porta estava entreaberta,
tu foste entrando, nem te vi entrar...
Era vazio o meu espaço,
mas tu, passo a passo,
num silêncio de um abraço,
ocupaste o teu lugar.
Tentei negar, a evidência,
Quis desculpar, com a ausência,
o que não queria aceitar....
Pensei que era carência,
mas ficou em permanência,
um constante duvidar.
Meu receio, eu confesso,
nem sei até se mereço,
o que tens para me dar.
Acentuou-se a saudade,
e agora sei na verdade,
já não vivo sem te amar.
A porta estava entreaberta,
entraste, ficaste, fizeste-me sorrir.
Quero agora fechar a porta,
pois já apenas me importa,
que tu não queiras sair.



segunda-feira, 11 de abril de 2016

Por amar assim.....

Confesso,
toda a minha entrega,
todo o meu querer,
todo o meu amor,
e depois....
vem a dor.
O silêncio amargo,
a distância ausente,
O corpo não sente,
fica tudo vazio....
Não choro, não rio...
Condeno-me,
por de novo me dar,
à arte de amar,
neste jeito de ser,
romântico incurável,
sabendo que sofrer,
é o mais provável.
E agora, ferido,
procuro um sentido,
uma razão em mim...
Não há nada a fazer...
É minha forma de ser,
Se tenho de sofrer,
que seja por amar assim.

domingo, 10 de abril de 2016

O MAIS CERTO DO QUE È INCERTO



Um acordar, um pensamento, um sorriso,
Um sabor doce do que é tão impreciso,
Uma certeza do que é tão questionável.......
A vontade, o tanto querer, o desejo,
de selar e abraçar a vida com um beijo,
mesmo que estranhamente improvável.



A consciência, crescente do que é finito,
a descoberta, recente, do que é bonito,
a sublimação de um puro sentimento.
A saudade, o receio, de um tempo escasso,
A noção que cada dia é um passo,
A importância de sentir cada momento.


É um amadurecer profundo da alma,
Uma palavra, uma voz que acalma,
Talvez um segredo que só Deus nos diz.
As lágrimas outrora derramadas,
poderão ser e abrir novas estradas,

que te levem onde possas ser feliz.


Nada é certo, nem seguro, nem constante,
O mais perto por vezes é mais distante,
E a quimera pode tão bem ser real.
A vida é assim, incerta, tão insegura,
Vive-se e luta-se numa eterna procura,
de tudo o que vem ter conosco afinal.


Serão escolhas, erradas, que fazemos?

São as lições com que no fundo aprendemos,
A viver e a escolher cada vez melhor.
Os supérfluos vão então sendo percebidos,
A percepção dos erros que foram cometidos,
A descoberta da essência do que é o amor.


Assim a vida e o tempo nos vai levando,
Com tudo o que nos tira, ou nos vai dando,
Por caminhos que nem pensávamos seguir.
Mas um dia, paramos, olhamos para trás,
e importante é perceber que ainda se é capaz,
de olhar para a frente com vontade de sorrir.

sábado, 9 de abril de 2016

Só tenho....

Só tenho o mar, meu amor, apenas o mar....
Mas que faço eu com o mar sem te ter a ti?
Sou como um barco à deriva e sem farol,
Sou como nuvem esquiva escondendo o sol,
Sou como poema inacabado que nunca escrevi.


Só tenho a memória, meu amor, apenas a memória.....
Mas que faço eu com a memória se não te vejo?
Sou como um álbum de boas recordações,
Sou um reviver constante de tantas emoções,
Sou um grito calado num corpo ardendo em desejo.


Só tenho o tempo, meu amor, apenas o tempo....
Mas que faço eu com o tempo em que não te tenho?
Sou como um rio que não sabe o seu caminho,
Sou como um pássaro que já não voa sozinho,
Sou como um inventor desprovido de engenho.


Só tenho a saudade, meu amor, apenas a saudade....
Mas que faço eu com a saudade sem te sentir?
Sou como boca calada sem saber falar,
Sou como lágrima chorada sem saber chorar,
Sou apenas um sorriso triste sem saber sorrir.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Amor sublime

Hoje, procurei com todas as palavras que aprendi,
escrever-te a frase mais bonita de amor,
aquela que dissesse totalmente,
o que na realidade eu sinto por ti,
e acabei por me sentir frustado,
triste, desiludido, vencido,
ao perceber que afinal,
nem as melhores metáforas de um poeta
conseguem por vezes descrever,
a verdadeira essência e beleza,
de um amor sublime.

terça-feira, 22 de março de 2016

O velho barco

Eu era como um barco atracado
tristemente preso no cais....
Que após tão longas viagens,
já não navegava mais.
Ali estava, balançando,
ao sabor da maré,
como quem embala nos braços
o sono de um bébé.
Talvez parado no tempo...
Talvez parado no espaço....
Conformado, cansado,
velho barco em sua fadiga,
poema de qualquer cantiga,
ou verso de um triste fado.
As cordas que me prendiam,
com nós dados a preceito,
as dores que me escondiam,
principios que em mim viviam
de dedicação e respeito.
Velho barco, velho sonho,
que nunca ousaste sonhar.
Porque as lágrimas que choravas,
eram águas em que navegavas,
diluídas num imenso mar.
Só a noite te entendia....
Em segredos contados ao luar....
Quando a água em prata refulgia,
 no teu ser se acendia,
um brilho que não podia brilhar.
Até que um dia um raio de sol,
entrou suavemente em teu convés,
e na luz que te inundava,
te mostrou lentamente,
o barco que ainda és.
Como um anjo tão desejado,
vindo em palavras e em voz,
como se tivesse sido ensinado
a desatar todos os teus nós.
Soltou-te e deu-te nova vida,
desejos de novas viagens,
vontades de correr mundo
ir pelo mar mais profundo
em busca de novas paragens.
Velho barco, barco novo,
como é bom ver-te navegar....
Hoje no cais que te deu guarida,
ficou um adeus de despedida,
infindáveis histórias por contar.
Vai barco, leva-me contigo....
Navegando em ti deixa-me sonhar...
Porque é cedo, meu amigo,
e até um barco antigo,
reparado com amor e carinho
pode sempre navegar.

segunda-feira, 21 de março de 2016

INCOMPLETA METADE

Não tenho os teus braços para sentir o teu abraço....
Não tenho os teus lábios para sentir o teu beijo....
E quando não te tenho, dentro do meu espaço,
eu não sei o que faço, para calar o desejo.

Não tenho o teu sorriso para me fazer sorrir....
Não tenho as tuas mãos para acariciar meu rosto...
E quando não te tenho, eu não consigo fingir,
que não te poder sentir, é para mim um desgosto.

Não tenho o teu corpo para poder acarinhar...
Não tenho a tua voz para ficar te escutando...
E quando não te tenho, eu nem sei que falar,
tudo parece faltar, na saudade que vai matando.

Não tenho o teu olhar onde me gosto de ver...
Não tenho a tua alma para eu ser verdade...
E quando não te tenho, eu já não sei viver,
e apenas consigo ser, uma incompleta metade.