Poesia, poemas, contos e prosas. Desabafos e pensamentos, angústias e sentimentos. Um pouco de mim....
Novidade
terça-feira, 5 de janeiro de 2021
DOM JULIÃO, O AVARENTO
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
A RITA VAIDOSA
A Rita, era tão bonita,
punha no cabelo uma fita,
vestia um vestido rodado,
bem bonito, encarnado.
E num jeito bem airoso,
punha um perfume cheiroso,
apenas para ir brincar.
Ninguém lhe podia tocar!
Não a fossem amarrotar,
Nem um casaco vestiu,
para o vestido mostrar...
Preferia passar frio,
andava a tiritar.
Estava constantemente,
a arranjar o cabelo...
A Rita tinha a mania,
de que ía ser modelo,
ser famosa, manequim,
E andava pelo jardim
como se fosse a desfilar.
Mas as amigas estavam fartas,
e não queriam mais brincar.
Já não tinham paciência
para a ouvir falar.
Mas a Rita, tão bonita,
ajeitava a sua fita
sacudia os cabelos no ar.
Mas o problema da Rita,
por saber que era bonita,
não se preocupava em estudar.
E assim a Rita cresceu
nada de jeito aprendeu
e nem se conseguiu formar.
Vivia só de vaidade,
e naquela ansiedade,
de ser capa de revista.
Mas o tempo foi passando,
E a Rita ficou chorando,
por não ter qualquer conquista.
Um dia por acaso encontrou,
as amigas com que brincou,
e com as quais ela gozava.
A Lorena era já doutora,
e a Inês uma senhora,
que numa empresa mandava.
Gostavam de viajar,
conhecer outros países,
eram mulheres felizes,
Com vidas bem interessantes.
Já a Rita, vivia aflita,
continuava a usar a fita,
Mas não era bonita como antes.
Pois de nada lhe serviu,
viver apenas prá vaidade.
O futuro, foi aquilo que se viu
a beleza com os anos partiu,
e ficou a realidade.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
A CAIXA DE LÁPIS DE CÔR
Numa caixa de cartão colorida,
Em manchas de aguarela.
Vinte e quatro lápis davam vida,
a uma bonita janela.
Viviam ali tão encostadinhos,
muito quietinhos sossegados.
Sempre bem arrumadinhos
e pelas cores ordenados.
Esperavam ansiosamente
para fora da caixa saltar.
Para quando alguém finalmente
precisasse deles pra pintar.
Por vezes enquanto esperavam
longas conversas mantinham.
Sobre as cores com que pintavam,
e as qualidades que tinham.
O verde, com certas manias,
disse sem qualquer subtileza:
-Sou a cor das pradarias,
e da flora, da natureza.
O amarelo já irritado,
não conseguiu aguentar.
-O que seria de ti verde coitado,
sem o meu sol a brilhar.
O castanho, num tom pomposo,
rapidamente respondeu:
- Eu sou a terra e um tronco grosso,
onde toda a vida nasceu.
Não és assim tão importante!
Disse o azul sem hesitar.
Eu vou muito mais distante,
pois sou o céu e o mar.
O vermelho disse com fervor:
-Dividam lá isso a meias.
Pois sou a cor do amor,
e do sangue que corre nas veias.
O laranja, mais pedagogo,
disse ao vermelho, encarnado.
Como serias tu cor do fogo,
sem laranja misturado.
O Rosa em jeito de vaidade,
educadamente disse assim:
Sou a cor da felicidade,
nas flores de um jardim.
Mas o branco, que até então,
Só tinha ouvido, calado.
- Eu sou a cor da razão,
sou o branco imaculado.
Logo o preto não gostou,
e disse no seu sábio dizer:
-Só graças ao contraste que dou,
alguém em ti pode ler.
O cinzento não se conteve,
deu uma gargalhada e depois:
- Que graça que cada um teve,
Eu sou a mistura do dois.
O roxo, que era baixinho,
disse um pouco envergonhado:
-Sei que sou pequenininho,
mas porque fui mais usado.
O verde claro, gaguejando,
disse sincopando os sons:
-Eu-eu-eu que-que-ria ver-ver-vos pin-pin-tando
sem-sem ha-haver os Mei-meios tons.
Depois de alguns dissabores
de conversas de rivais.
Perceberam então as cores
que diferentes, são iguais.
Como seria o mundo todo escuro,
Como seria o planeta todo claro.
Com cores se pinta o futuro,
num abraço de sonho e amparo.
Seja grande, seja pequeno,
Com diferenças, como a gaguez.
Só juntos num mundo sereno,
se pinta tudo aquilo que vês.
Porque nada importa o que temos
nem a diferença ou a cor.
Mas todos juntos valemos,
um mundo pintado de amor.
POEMA INCOMPLETO
Tentei escrever um poema
com mil frases infinitas
mas fiquei com um problema
não tinha palavras ------------
Eu bem teimava e tentava,
e tantos versos escrevia.
Mas sempre uma palavra faltava
para me encher de -----------
O poema estava tão triste,
dizendo que assim não se anima.
Porque um poema existe,
na palavra que faz a ---------
Não se sentia bela poesia,
nem poderia vir a ser canção
Pois tudo aquilo que dizia
não chegava ao -----------
Foi então que me lembrei
com crianças que ali estavam
que elas me ajudassem também
nas palavras que ------------
Haviam tantos dedos no ar,
todos queriam dar sugestões.
Com palavras que a rimar,
fizessem belas -----------
Depois de algum tempo passado,
todos juntos a escrever
O poema inacabado
já se fazia ---------------
Agora o poema incompleto
consegue dizer o que diz.
Com mais palavras, completo,
é um poema ------------
quinta-feira, 17 de dezembro de 2020
O Cão Pimpão
Pimpão era um cão,
alegre e brincalhão,
Mas era tão comilão,
comia quilos de ração,
e comia sem razão,
tudo o que via no chão,
até um brinquedo avião,
e o sapato do João,
Comia com sofreguidão,
que metia confusão.
Comeu um queijo castelão,
Comeu feijoada com grão,
Comeu bolos e comeu pão,
e até sem explicação
tentou comer a televisão.
De tanto comer nessa aflição,
estava redondo como um balão.
Rebolava pelo chão,
de tão má disposição,
de tanto comer pois então.
Tinha problemas de coração,
e diabetes de cão,
Ai Pimpão, ai Pimpão,
tu tens de ter atenção.
Mas ele dizia que não,
não havia preocupação.
Até que um dia o João,
foi encontrar o Pimpão,
quase morto no chão,
quase sem respiração,
E chorando o João,
naquela grande aflição
para salvar o Pimpão
com o telefone na mão
Ligou pró doutor Salvação,
que chegou de foguetão,
e lhe fez reanimação.
deu-lhe logo uma injecção,
deu-lhe soro mesmo pra cão.
Passou-lhe receitação,
para nova alimentação,
e uma dieta de ração.
Ralhando disse ao Pimpão,
Olha lá bem pró João,
a chorar numa aflição.
Tu tens de ter atenção
comer com moderação,
É até falta de educação,
comeres que nem um leão,
Tem cuidado senão
morres com gula de cão.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
CATRAPUM , RIBOMBÃO
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
PREGUICITE AGUDA
Havia um certo rapaz
que era de tanto capaz,
sem precisar de ajuda.
Mas coitado, logo à nascença,
apareceu-lhe uma doença,
a preguicite aguda.
De manhã a mãe chamava
mas ele não se levantava,
queria ficar a dormir.
Porque não gostava da escola,
Mas para ir jogar à bola,
despachava-se a fugir.
Na escola ficava amuado,
por vezes até zangado,
não queria aprender.
Até dizia um nome feio,
Mas na hora do recreio,
lá ía ele a correr.
Era uma dor de cabeça,
Quando se sentava à mesa,
na hora de almoçar.
Até gostava da comida,
Mas engolia de fugida,
Com preguiça de mastigar.
Era só quês e porquês,
pra fazer os TPCs
Quando a casa chegava.
A vontade era tão pouca,
Que a mãe ficava louca,
e todo o dia ralhava.
O pai, ao qual tinha mais respeito,
falava-lhe então a preceito,
Num tom sério e vagaroso:
Filho, tu tens tanta virtude,
Mas tens de mudar de atitude
deixar de ser preguiçoso.
Ele respondia que sim,
Mas conversa chegada ao fim,
Voltava tudo à mesma.
Qualquer coisa que fazia,
era sempre uma agonia,
tão veloz como uma lesma.
Mas que doença terrível,
parecia quase impossível,
Encontrar-lhe uma cura.
A preguicite é tramada,
nunca deixa fazer nada,
e há tanto tempo que dura.
O rapaz lá foi crescendo,
tantos problemas foi tendo,
tantos males lhe aconteceu.
Até que um certo dia,
o rapaz, por ironia,
a preguiça entendeu.
Percebeu que na verdade,
se mostrasse mais vontade,
No que tinha de fazer.
Ganhava mais simpatia,
e sendo bom no que fazia,
era bem fácil vencer.
Agora, já homem feito,
o rapaz estudou direito,
e num doutor se tornou.
Mas ainda vive a lembrança,
da preguicite de criança,
que só ele próprio curou.