Poesia, poemas, contos e prosas. Desabafos e pensamentos, angústias e sentimentos. Um pouco de mim....
Novidade
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
CATRAPUM , RIBOMBÃO
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
PREGUICITE AGUDA
Havia um certo rapaz
que era de tanto capaz,
sem precisar de ajuda.
Mas coitado, logo à nascença,
apareceu-lhe uma doença,
a preguicite aguda.
De manhã a mãe chamava
mas ele não se levantava,
queria ficar a dormir.
Porque não gostava da escola,
Mas para ir jogar à bola,
despachava-se a fugir.
Na escola ficava amuado,
por vezes até zangado,
não queria aprender.
Até dizia um nome feio,
Mas na hora do recreio,
lá ía ele a correr.
Era uma dor de cabeça,
Quando se sentava à mesa,
na hora de almoçar.
Até gostava da comida,
Mas engolia de fugida,
Com preguiça de mastigar.
Era só quês e porquês,
pra fazer os TPCs
Quando a casa chegava.
A vontade era tão pouca,
Que a mãe ficava louca,
e todo o dia ralhava.
O pai, ao qual tinha mais respeito,
falava-lhe então a preceito,
Num tom sério e vagaroso:
Filho, tu tens tanta virtude,
Mas tens de mudar de atitude
deixar de ser preguiçoso.
Ele respondia que sim,
Mas conversa chegada ao fim,
Voltava tudo à mesma.
Qualquer coisa que fazia,
era sempre uma agonia,
tão veloz como uma lesma.
Mas que doença terrível,
parecia quase impossível,
Encontrar-lhe uma cura.
A preguicite é tramada,
nunca deixa fazer nada,
e há tanto tempo que dura.
O rapaz lá foi crescendo,
tantos problemas foi tendo,
tantos males lhe aconteceu.
Até que um certo dia,
o rapaz, por ironia,
a preguiça entendeu.
Percebeu que na verdade,
se mostrasse mais vontade,
No que tinha de fazer.
Ganhava mais simpatia,
e sendo bom no que fazia,
era bem fácil vencer.
Agora, já homem feito,
o rapaz estudou direito,
e num doutor se tornou.
Mas ainda vive a lembrança,
da preguicite de criança,
que só ele próprio curou.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
AI JOÃO, AI JOÃO
Ai João, aí João
O João tem uma bola,
que leva dentro da sacola
para quando sai da escola
ir para o pátio jogar.
E a bola salta, rebola,
dá-lhe com o pé e com a tola,
Mas o João se isola,
sózinho para brincar.
Ai João, aí João
O João tem um pião,
escondido no bolso do calção,
e uma corda pois então,
para com o pião brincar.
E o pião salta-lhe da mão,
e roda roda no chão,
e o João fica em aflição
Se alguém o quer ver rodar.
Ai João, aí João
O João tem uma bicicleta,
bem bonita, a predilecta,
e quer na curva quer na recta,
É ver o João pedalar.
Em sprint ele chega à meta,
como campeão e atleta,
Mas de forma incorrecta,
não deixa mais ninguém andar.
Ai João, aí João
O João tem tecnologia,
Telefone, tablet e fantasia,
que fazem pura magia,
Em jogos para jogar.
Ele passa parte do dia,
nessa imensa alegria,
Mas o João, por ironia,
não deixa ninguém lhes tocar.
Ai João, aí João
O João é um sortudo,
pois ele tem quase tudo,
Tem tudo o que um miúdo
possa algum dia sonhar.
Mas o João é sisudo,
já não fala, é quase mudo,
pois apesar de ter tudo,
não tem com quem brincar.
Ai João, aí João
Ai João, tu tens de ver,
tens de tentar perceber,
que isso de tudo ter,
pode bem ser um castigo.
Ai João, tu vais crescer,
e na vida que vais viver,
o melhor que podes ter,
É um verdadeiro amigo.
Ai João, aí João
COISAS DA INVEJA
sexta-feira, 11 de dezembro de 2020
JÁ NÃO SONHO
Já não sonho como sonhava outrora,
Já não me iludo com fantasias.
Já não quero que um minuto seja uma hora,
Já não quero que horas sejam dias.
Quero saber-me no aqui e agora,
No antígono de meus sonhos e utopias.
Porque há um momento de perceber quem somos
Entre os desejos de ser e quem realmente fomos.
Já não quero sonhar como eu sonhava,
Já não tenho tempo para perder com ilusões.
Já não quero acreditar como acreditava,
Já não quero sentir novas emoções.
Quero ser apenas eu, como sou,
sonhador cansado de tantas desilusões.
Porque o tempo, vai-me roubando a esperança,
e o sonho, nem tudo na vida alcança.
Já não me iludo numa dourada quimera,
Já não sou surdo mudo, nem herói ou campeão.
Já sou tão pouco metade daquilo que era,
Já não sou poema, nem música, nem canção.
Quero apenas uma palavra sincera
que me aqueça a alma e me explique a razão.
Porque sonhando aprendi com o passar da idade,
que é melhor aprender a viver a realidade.
VOU
Vou...
Vou por aí, procurar por mim,
ciente da dificuldade de me encontrar.
Vou ao horizonte, atravesso a ponte,
e talvez me encontre
sentado à beira-mar.
Vou...
Vou sem destino, procurar o menino,
o ingénuo sonhador que me conheci.
Vou na ilusão, em inquietação,
descobrir a razão
porque me perdi.
Vou...
Vou embalado no vento, à procura de alento,
tentar descobrir em que episódio fiquei.
Vou em busca do paraíso, que me dê um sorriso,
ou até do juízo,
que perdi e não sei.
Vou...
Vou sem partir, e sem sequer sair,
pois dou por mim sempre no mesmo lugar.
Vou nesta fuga sem jeito, procurar o preceito,
porque me assiste o direito,
de não querer ficar.
Vou...
Vou contar as estrelas, mas nem consigo vê-las,
porque a noite tão escura me faz adormecer.
Vou num sono profundo, procurar outro mundo,
indagar no meu fundo,
o que é feito do meu ser.
Vou...
Vou acelerar os meus passos, e abrir os meus braços,
sem olhar para trás em tão breve despedida.
Vou e não levo pena, apenas uma mão que acena,
enquanto tudo me condena,
a ter de viver esta vida.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
QUERO TANTO...
Quero tanto pernoitar em ti,
sentir do teu corpo nu esse calor que aconchega,
essa pele descoberta por meus dedos,
que até meus mais recônditos segredos,
desinquieta e desassossega.
Quero beijar-te num só tão doce beijo,
que te percorra o corpo em desejo,
Em prazeres derradeiros.
Quero parar os ponteiros,
num tempo que não tenha fim.
Quero beber-te, comer-te,
saciar teu corpo de mim.
Lamber-te calma e suavemente,
onde o teu corpo mais sente,
nessa expressão que não mente,
de um prazer louco e sem fim.
Murmúrios, palavras ofegantes e ternas,
enquanto te abro as pernas,
numa vontade incontida,
e te penetro extasiado,
Com o carinho delicado
de quem encontra a própria vida.
Quero sentir os teus seios,
roçando suados em meu peito,
onde bate meu coração
acelerado e sem jeito.
Quero olhar-te nos olhos,
dizer-te tudo sem falar.
E até os teus gemidos,
são música para os meus ouvidos,
onde eu anseio cantar.
Sentir tua pele a ferver...
Sentir teu corpo a tremer...
Sentir-te a sentir prazer...
E num momento, imaculado,
és um ser incontrolado
voando na louca excitação.
Cravas-me unhas nas costas,
falas sem receio o que gostas,
incendeias de paixão.
E eu, que não sei resistir,
a tão excitável visão,
como louco, deixo-me ir,
voo contigo, e depois....
A sublimação entre os dois.
Quero ver-nos suados, cansados,
prostrados de um prazer satisfeito.
Nossos corpos entrelaçados,
colados, encostados,
e o teu rosto no meu peito.
Como se num só momento,
toda a paz e alento
nos invadisse a alma.
Nessa paixão que incendeia,
e o espírito saboreia,
e que só o amor acalma.
Quero tanto...
Por isso no desejo eu te chamo.
Quero contrariar os revezes,
para dizer-te milhões de vezes,
o quanto te adoro e te amo.