Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

AI JOÃO, AI JOÃO

Ai João, aí João


O João tem uma bola,

que leva dentro da sacola

para quando sai da escola

ir para o pátio jogar.

E a bola salta, rebola,

dá-lhe com o pé e com a tola,

Mas o João se isola,

sózinho para brincar.


Ai João, aí João


O João tem um pião,

escondido no bolso do calção,

e uma corda pois então,

para com o pião brincar.

E o pião salta-lhe da mão,

e roda roda no chão,

e o João fica em aflição

Se alguém o quer ver rodar.


Ai João, aí João


O João tem uma bicicleta,

bem bonita, a predilecta,

e quer na curva quer na recta,

É ver o João pedalar.

Em sprint ele chega à meta,

como campeão e atleta,

Mas de forma incorrecta,

não deixa mais ninguém andar.


Ai João, aí João


O João tem tecnologia,

Telefone, tablet e fantasia,

que fazem pura magia,

Em jogos para jogar.

Ele passa parte do dia,

nessa imensa alegria,

Mas o João, por ironia,

não deixa ninguém lhes tocar.


Ai João, aí João


O João é um sortudo,

pois ele tem quase tudo,

Tem tudo o que um miúdo

possa algum dia sonhar.

Mas o João é sisudo,

já não fala, é quase mudo,

pois apesar de ter tudo,

não tem com quem brincar.


Ai João, aí João


Ai João, tu tens de ver,

tens de tentar perceber,

que isso de tudo ter,

pode bem ser um castigo.

Ai João, tu vais crescer,

e na vida que vais viver,

o melhor que podes ter,

É um verdadeiro amigo.


Ai João, aí João



COISAS DA INVEJA

O pobre do velho sapo,
que já dizia coisas sem nexo
Andava feito num farrapo,
por se achar um velho trapo,
ao ver na água seu reflexo.

Falava com inveja e desdém
Do seu vizinho camaleão.
Pelas qualidades que tem,
Subir árvores como ninguém,
e mudar de cor, pois então.

Mas o camaleão coitado,
Deixava o sapo falar.
Andava sempre angustiado,
nas árvores empoleirado,
porque não sabia nadar.

Ficava ainda mais invejoso,
ao ver o colibri voar.
E ele ali, vagaroso,
aguardando atento pelo almoço,
sem o poder ir buscar.

O colibri exibicionista,
Pairava sobre uma flor.
Armado em malabarista,
como se fosse um artista,
voando em seu redor.

Ele disfarçava o seu medo,
da sua pequenez fatal.
E admirava em segredo,
Lá no alto dum penedo,
o voo da águia real.

A àguia em voos rasantes,
e quase sempre certeiros,
Caçava pobres rastejantes,
com inveja dos elefantes,
serem tão bons companheiros.

Andavam sempre em manada,
em familia, em protecção.
Enquanto que a àguia coitada,
lutava desesperada,
apenas para procriação.

Mal sabia ela que o elefante,
no seu lento e pesado andar.
Debaixo de um sol escaldante
chorava por não ser elegante,
e por não saber saltar.

Se fosse pelo menos como a hiena,
se pelo menos pudesse sorrir.
Talvez assim valesse a pena,
tão fastidiosa faiena,
e um tão penoso carpir.

Mas a hiena achava estranho,
o desejo do elefante.
Precisaria de menor empenho,
se tivesse aquele tamanho,
e seria mais importante.

O que ela na verdade queria,
era ser como o leão.
Ser o rei da pradaria,
respeitado de noite e dia,
numa imponente solidão.

Ah mas o rei tinha um problema,
um segredo bem guardado.
Vivia num grande dilema,
uma história, quase poema,
que a ninguém havia contado.

-Se eu pudesse seria serpente!
Dessas com veneno mortal.
Dizia o leão descontente,
porque ser rei de toda a gente,
não tem vantagens afinal.

A serpente quando o ouviu,
nem queria acreditar.
Ter de dormir meses a fio,
comer de verão, porque no frio,
nem sequer podia rastejar.

Antes fosse lagarta feia,
porque ser serpente é uma treta.
Porque a lagarta ao morrer,
ainda pode vir a ser,
uma linda borboleta.

A lagarta não achou graça,
Pensou que era piada.
Minha vida é uma desgraça,
e tão depressa a vida passa,
que eu nem sequer dou por nada.

Sei que morro em borboleta,
mas sou um pobre farrapo.
Tudo em mim se espeta,
minha vida é uma treta,
quem me dera ser um sapo.

E para ter final a jeito
fica então a moral da história,
Não há nenhum ser perfeito,
Mas cada um no seu jeito,
deixa no mundo sua glória.




sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

JÁ NÃO SONHO

Já não sonho como sonhava outrora,

Já não me iludo com fantasias.

Já não quero que um minuto seja uma hora,

Já não quero que horas sejam dias.

Quero saber-me no aqui e agora,

No antígono de meus sonhos e utopias.

Porque há um momento de perceber quem somos

Entre os desejos de ser e quem realmente fomos.


Já não quero sonhar como eu sonhava,

Já não tenho tempo para perder com ilusões.

Já não quero acreditar como acreditava,

Já não quero sentir novas emoções.

Quero ser apenas eu, como sou,

sonhador cansado de tantas desilusões.

Porque o tempo, vai-me roubando a esperança,

e o sonho, nem tudo na vida alcança.


Já não me iludo numa dourada quimera,

Já não sou surdo mudo, nem herói ou campeão.

Já sou tão pouco metade daquilo que era,

Já não sou poema, nem música, nem canção.

Quero apenas uma palavra sincera

que me aqueça a alma e me explique a razão.

Porque sonhando aprendi com o passar da idade,

que é melhor aprender a viver a realidade.

VOU

Vou...

Vou por aí, procurar por mim,

ciente da dificuldade de me encontrar.

Vou ao horizonte, atravesso a ponte,

e talvez me encontre

sentado à beira-mar.


Vou...

Vou sem destino, procurar o menino,

o ingénuo sonhador que me conheci.

Vou na ilusão, em inquietação,

descobrir a razão

porque me perdi.


Vou...

Vou embalado no vento, à procura de alento,

tentar descobrir em que episódio fiquei.

Vou em busca do paraíso, que me dê um sorriso,

ou até do juízo,

que perdi e não sei.


Vou...

Vou sem partir, e sem sequer sair,

pois dou por mim sempre no mesmo lugar.

Vou nesta fuga sem jeito, procurar o preceito,

porque me assiste o direito,

de não querer ficar.


Vou...

Vou contar as estrelas, mas nem consigo vê-las,

porque a noite tão escura me faz adormecer.

Vou num sono profundo, procurar outro mundo,

indagar no meu fundo,

o que é feito do meu ser.


Vou...

Vou acelerar os meus passos, e abrir os meus braços,

sem olhar para trás em tão breve despedida.

Vou e não levo pena, apenas uma mão que acena,

enquanto tudo me condena,

a ter de viver esta vida.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

QUERO TANTO...

Quero tanto pernoitar em ti,

sentir do teu corpo nu esse calor que aconchega,

essa pele descoberta por meus dedos,

que até meus mais recônditos segredos,

desinquieta e desassossega.

Quero beijar-te num só tão doce beijo,

que te percorra o corpo em desejo,

Em prazeres derradeiros.

Quero parar os ponteiros,

num tempo que não tenha fim.

Quero beber-te, comer-te, 

saciar teu corpo de mim.

Lamber-te calma e suavemente,

onde o teu corpo mais sente,

nessa expressão que não mente,

de um prazer louco e sem fim.

Murmúrios, palavras ofegantes e ternas,

enquanto te abro as pernas,

numa vontade incontida,

e te penetro extasiado,

Com o carinho delicado

de quem encontra a própria vida.

Quero sentir os teus seios,

roçando suados em meu peito,

onde bate meu coração

acelerado e sem jeito.

Quero olhar-te nos olhos,

dizer-te tudo sem falar.

E até os teus gemidos,

são música para os meus ouvidos,

onde eu anseio cantar.

Sentir tua pele a ferver...

Sentir teu corpo a tremer...

Sentir-te a sentir prazer...

E num momento, imaculado,

és um ser incontrolado

voando na louca excitação.

Cravas-me unhas nas costas,

falas sem receio o que gostas,

incendeias de paixão.

E eu, que não sei resistir,

a tão excitável visão,

como louco, deixo-me ir,

voo contigo, e depois....

A sublimação entre os dois.

Quero ver-nos suados, cansados,

prostrados de um prazer satisfeito.

Nossos corpos entrelaçados,

colados, encostados,

e o teu rosto no meu peito.

Como se num só momento,

toda a paz e alento

nos invadisse a alma.

Nessa paixão que incendeia,

e o espírito saboreia,

e que só o amor acalma.

Quero tanto...

Por isso no desejo eu te chamo.

Quero contrariar os revezes,

para dizer-te milhões de vezes,

o quanto te adoro e te amo.



quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

IMPERFEITO

Sou um ser discreto, imperfeito
Sou da utopia, pura ilusão.
Sou a habilidade sem jeito,
Sou o torto sem o direito,
desejo efémero da perfeição.

Sou um ser confuso, imperfeito
Sou o fruto de quem me fez.
Sou rosa desfolhada no peito,
Sou caminho largo e estreito,
pedra de calçada talvez.

Sou um ser inquieto, imperfeito
Sou tela em branco por pintar.
Sou delírio já contrafeito,
Sou pássaro num parapeito,
que já não sabe cantar.

Sou um ser estúpido, imperfeito
Sou certo de ter ilusões.
Sou a negação do que aceito,
Sou a mórbida visão que espreito,
nos meus milhares de questões.

Sou um ser perdido, imperfeito
Sou tentativa e desilusão.
Sou o que ainda não está feito,
Sou mais do que trago no peito,
nesta alma em construcção.

Sou um ser contido, imperfeito
Sou incerteza da razão.
Sou o refazer do refeito,
Sou o oposto do perfeito,
busca eterna da perfeição.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Abecedário do Amor

Com A eu te escrevo amor,

Com B eu te dou um beijo.

No C te dou meu carinho,

e no D o meu desejo.

É com o E que eu te esperei

e com F em ti eu fico.

Com o G te glorifico

e com H te honrei.

Com o I tu me impeles

e no J és meu jasmim

no K meu Keep Calm

No L és meu latim.

No M és o meu mundo

No N és meu Narciso

No O sou oriundo

do P onde te preciso.

Com Q te chamo querida

Com R minha razão.

Com S serás saudade

Com T minha tentação.

No U tu és a única

No V a minha vida.

No W a minha web

No X és xilogravura

No Y és meu yes

No Z és zimbradura

És mais, muito mais que tudo,

muito além dum abecedário.

Sem ti eu seria mudo,

Com tudo virado ao contrário.