Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Dá-me tempo!

Por favor, dá-me tempo!
Porque o tempo contigo,
passa bem mais devagar,
e as horas nocturnas
parecem até nem passar,
são como doces quimeras,
com suave cheiro de jasmim,
são como mil Primaveras,
enfeitando um jardim,
E quando em ti me posso deitar
desaparecem de mim os medos
e posso contar pelos dedos,
os anos a passar!

Por favor, dá-me tempo!
Porque o tempo que eu perdi,
tentando te encontrar,
ganhei-o perto de ti,
só por te poder tocar,
Só por ver o teu sorriso,
esse encanto sem tamanho,
Mais tempo ainda preciso,
para sentir que te tenho.
Com tanto amor para dar,
Porque me sinto tão vazio,
sou como as águas de um rio,
que não encontram o mar!

Por favor, dá-me tempo!
Pega no relógio da vida,
e empurra os ponteiros para trás,
para que eu sare essa ferida,
que o próprio tempo me traz,
e por cada segundo que eu viva,
saciar contigo um desejo,
nessa boca que me motiva,
a morrer num eterno beijo,
Porque das mágoas que eu vivi,
Tenho o tempo que desprezo,
É o mesmo tempo que peço,
para ter mais para ti!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Amigos!!!

Ah! Como sou um homem de sorte!
Tenho cada vez mais amigos!
Tantos, tantos, tantos amigos,
que falam sempre comigo,
e são todos os dias mais!
Amigos do peito!
Mas não encontro um jeito,
Se numa lágrima de triste cansaço,
eu precisar de um abraço,
os meus amigos virtuais,
estão sempre indisponíveis,
ocupados a fazer amizades,
numa qualquer rede social.
e de tantos, tantos amigos,
seria bom ter um que fosse real!




Por um beijo....

Por um beijo...
Por um simples beijo teu...
Eu pararia o relógio,
do tempo que me consome,
esqueceria a sede,
esqueceria a fome,
e saciava todo o meu desejo
nesse simples Beijo!
Por um beijo...
Por um simples beijo teu...
Meu sangue correria nas veias,
como cavalo a galope,
num turbilhão de ideias
que até o cérebro entope,
porque mesmo dormindo eu te vejo,
e quase que sinto esse beijo.

Por um beijo...
Por um simples beijo teu...
Não me sentiria perdido,
Sem saber o que fazer,
Já nem faria sentido
estar aqui a escrever,
Seria todo ouvidos
para tua boca a chamar-me
Seria cinco sentidos
para tua boca a beijar-me!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cansaço em mim...


Sinto-me cansado...
e o cansaço rouba-me o ser,
e o não ser tira-me vida,
e menos vida lembra-me morte,
e morte lembra tristeza,
ou triste falta de sorte.
Sinto-me vazio...
e o vazio tira-me alma,
e sem alma sou mendigo,
pobre corpo porto de abrigo,
sou quase como um deserto,
sou tão longe, sou tão perto,
sou de mim pálida imagem,
que sem espelho sou miragem...
Sinto-me só...
e a solidão traz o silêncio,
e o silêncio traz o segredo,
que murmura em meu ouvido,
uma paz que me dá medo,
de não lhe saber o sentido,
de não lhe encontrar o jeito,
de saber se no meu peito,
bate ainda velho, o coração,
como metrónomo decadente,
em ritmo decrescente,
procurando salvação.
Sinto-me... nem sei...
um pedaço do que fui
em efémero tempo de glória,
onde gritava vitória,
a cada etapa vencida,
mas do que era outrora,
sou simples sombra agora,
que clama por um pouco de vida.
Mas, se o ar que respiro,
se tornar demais para mim,
então aí eu prefiro
antecipar o meu fim,
e de cabeça bem erguida,
tombar de vida vencida,
porque a vida não me vence a mim!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desencontros . . .

Já me cansam as lágrimas de procurar e não te ver!
Já me cansam os olhos de te ver sem te encontrar!
Dói-me o corpo e a alma na solidão de tanto te querer,
Dói-me ainda mais por saber, que nunca te deveria amar.

Sem te ver não consigo controlar esta sede de desejos!
Se te vejo parece que o meu ser salta fora de mim!
E mesmo sabendo que nunca adormecerei nos teus beijos,
Prefiro sofrer, chorar por ver-te, mesmo assim.

Eu sei que não tens culpa, de não me amar como te amo!
E que culpa tenho eu desta loucura que sinto por ti?
Só a noite e a lua sabem quantas vezes por ti chamo,
no silêncio de meu quarto vazio no qual me prendi.

Quantas vezes eu corro na ânsia de te encontrar!
As loucuras que faço só para te ver um momento!
Sabendo de antemão que apenas estou a alimentar,
e a aumentar cada vez mais este sofrimento.

Mas se tu és tudo o que na vida mais desejei,
Custa saber que para ti pouco ou nada significo.
Se tempos houve que me quiseste e eu não fiquei,
Agora que já não me queres é que eu sempre fico.

Resta-me o consolo de poder para sempre amar-te!
Mesmo que este amor nunca venha a ser correspondido!
Podem proibir-me de ter-te, de ver-te, de beijar-te!
Mas amar como te amo jamais será proibido.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Reflexões de Algibeira 1 ( Gosto de ti! )


Gosto de ti! Tão simples, tão fácil de dizer. Duas palavras apenas que se conjugam para exprimir um sentimento ou uma sensação espontânea. Mas, na verdade parece que esta simples frase encerra muito mais dentro de si. Infelizmente, a deturpação ou a simples conotação defeituosa de palavras fazem com que por vezes não as utilizemos, ou que as evitemos para que não sejamos mal entendidos.
Eu, tenho procurado fugir da hipocrisia do silêncio que não nos deixa dizer o que sentimos, que nos cala o que de mais sincero existe em nós, numa tentativa de expurgar um outro ser em mim, de libertar um outro estado de ser.
Há alguns anos atrás, confrontei-me com uma das maiores dores da minha vida até ao momento, a de perder meu pai. Mas acrescido a essa enorme dor, a essa perda, que ainda hoje me fere e transtorna embora tenha aprendido a viver com ela, maior ainda a dor de não lhe ter dito mais vezes o quanto o amava, o quanto ele valia para mim, o grande amor que lhe tinha. Talvez por isso, cada vez mais comecei a dizer aos que amo, que os amo, assim, sem mais nem menos, sem ser preciso ocasiões ou momentos especiais para o dizer. Porque o tempo é curto, para sermos e dizermos tudo o que queremos, e eu, não quero partir sem que saibam que os amei!
O engraçado é que esse meu hábito, começou a invadir também os que amo, e muitas vezes, se calhar não tantas como eu queria, também já mo dizem a mim. E para ser sincero, é tão bom de ouvir! Por muito que saibamos que alguém nos ama, é sempre bom ouvi-lo dizer!
Assusta-me contudo, outro lado desta questão: a forma leviana como se usam as palavras inadequadamente! Eu explico. Se se diz "Gosto de ti!" a um amigo ou amiga, é porque se gosta dele ou dela! Experimentem dizê-lo! terão as reacções menos esperadas e engraçadas até! Eu sei o que digo, acreditem! Se eu, homem, disser a um amigo "Gosto de ti!" ele olha-me de lado certamente pensando se eu estarei mesmo certo da minha orientação sexual. Se disser a uma amiga, ela provavelmente pensará que eu estou a querer qualquer coisa mais e a planear algum esquema de sedução. Mas não, simplesmente gosto, dele ou dela, é por esse facto que lhes chamo amigos e não apenas meros conhecidos ok? Mas, se por um lado não se diz gosto de ti por medo ou vergonha, assisto hoje, a uma juventude que diz a palavra "amo-te" a todo e qualquer um! As amigas dizem que se amam, amam-se todos uns aos outros, como se amar fosse gostar, como se o amor não fosse um muito maior gostar de ti. Afinal o que se passa com as palavras, com os sentimentos, com as pessoas?
Será que a lingua portuguesa além do novo acordo ortorgráfico aceitou um novo acordo semântico? Será que as pessoas não entendem o significado das palavras? Mas porque é que têem vergonha de dizer "gosto de ti" quando o devem dizer, e dizem "amo-te" de uma forma ridicula e banalizada que apenas quer dizer simplesmente um "gosto de ti".
Bons tempos em que as palavras eram o que eram e diziam apenas e tão simplesmente o que queriam dizer. Eu, pela minha parte, continuarei nesta cruzada de desmistificar o sentido das coisas, e direi sempre que o sentir, "gosto de ti" a quem gosto, e reservarei o "amo-te", para aqueles que realmente ocupam um lugar especial na minha existência.
Sabem que mais? Gosto de vocês, só por terem perdido um pouquinho do vosso tempo para ler esta minha reflexão de algibeira.

Não me sei....


Hoje, não me sei dizer.
Hoje, não me sei sonhar.
Não me sei prazer, escrever, reinventar!

Hoje, não me sei chorar.
Hoje, não me sei de mim.
Não me sei gritar, calar, ir até ao fim.

Hoje, não me sei se sou.
Hoje, não me sei em nada.
Não me sei se dou, se estou, em que estrada?

Hoje, não me sei inteiro.
Hoje, não me sei metade.
Não me sei Janeiro, Inverno, fim de tarde.

Hoje, não me sei saber.
Hoje, não me sei que fiz.
Não me sei se rio, se canto, se infeliz.

Hoje, não me sei quem sou.
Hoje, precisava tanto de mim.
E não sabendo, aqui estou, assim.