Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Como dizer o amor....

Eu, tão tolo, apaixonado,
Andei por aí correndo pelas ruas,
Parei em todas as montras
De todas as lojas
À procura do melhor presente para te dar,
Mas nada comprei
Por não me decidir sobre o melhor
Que te pudesse dizer
O quanto eu sinto por ti...

Eu, tão louco, apaixonado,
Depois de te dar o sol,
Esperei a tarde inteira,
Até o dia se vestir de noite,
E sorrateiramente trepei ao céu
E roubei algumas estrelas,
E até roubei a lua,
Para que elas te iluminassem
No caminho que vem até mim
E de alguma forma dissessem
O quanto eu sinto por ti...

Eu, tão perdido, apaixonado,
Corri por todas as praias
Procurando nas areias infinitas
Uma pista que me levasse
A encontrar o teu mar...
Encontrei-o! Levei-o comigo!
Sabia que te levava a paz,
A tranquilidade e o sorriso calmo...
Mas no fundo o que eu queria
Era que ele te dissesse
O quanto eu sinto por ti...

Eu, tão obcecado, apaixonado,
Fui a mil bibliotecas
Procurei em mil prateleiras
Todos os livros de poesia.. .
E roubei de todos eles
Todos os poemas de amor...
E de todos os romances apaixonados
Roubei os finais felizes,
Com a esperança que percebesses
O quanto eu sinto por ti...

Eu, já cansado, mas tão apaixonado,
Andei pelos jardins do mundo
Colhi as flores mais lindas
Num ramo tamanho de um abraço
E roubei rosas vermelhas
Para te cobrir o corpo de pétalas
Nesse agradável e suave odor...
Tudo isso porque eu queria
Na minha louca fantasia
Que alguma forma te explicasse
O quanto eu sinto por ti...

Eu, frustrado, mas sempre apaixonado
Pensei que ao dar-te tanto
Te diria tudo o que vai em mim
Te diria o quanto eu sinto por ti...
As palavras que eu,
Nem como poeta sei dizer...
E tu, simplesmente,
Seguraste a minha mão
E num silêncio estranho
Onde o mundo não tem tamanho
Olhaste fixamente no meu olhar. ..
Tranquilo, feliz, só então eu percebi
Que nada havia a explicar...
Nada preciso dizer...
Basta sentir, e... Ficar.
Basta ficar, e. . Viver.


quarta-feira, 13 de março de 2019

Se é por amor...

Se é por amor... vai!
Larga tudo e vai!
Porque o relógio não para
e a vida não espera por ti
Porque o amor é coisa rara
que dá vida e mata
que chora e que sorri
Porque se não fores,
com coragem,
Jamais conhecerás
o destino dessa viagem.

Se é por amor... corre!
Faz as malas e corre!
Porque o comboio não espera
que te decidas a correr,
Porque a vida é uma fera
é ainda bem mais bera
para quem tem medo de viver.
Porque se não correres,
então nunca saberás,
nesse risco de viveres,
o que a vida te traz.

Se é por amor... chora!
No teu silêncio chora!
Porque só o amor verdadeiro,
pode fazer-te chorar,
Porque o amor só é inteiro
mesmo que passageiro
na dor que não sabes calar.
Porque as lágrimas retidas
É dor que nunca acalma
Serão eternas feridas
a rasgar-te o corpo e a alma.

Se é por amor... muda!
Olha-te no espelho e muda.
Porque só o amor ensina
o que não se quer aprender.
Porque mudar é uma sina
que a vida nos destina
mesmo sem querermos ceder.
Porque o medo da mudança
é pior do que sofrer
é um viver sem esperança
na apatia de um ser.

Se é por amor... arrisca!
Experimenta e arrisca!
Porque não é pecado sonhar
nas asas da ilusão
Porque a vida é para ousar,
sem termos de nos guiar
sempre na voz da razão.
Porque o tempo escasseia
Ele voa como o vento.
Vai-se a vida e volta e meia
só fica arrependimento.

Se é por amor... enlouquece!
Faz tudo e enlouquece!
Porque não há melhor loucura
do que a vivida por amor.
Porque o sabor da aventura,
de abraçar a ternura
apazigua qualquer dor.
Porque só é mesmo louco
quem à solidão se condena.
Se for por amor, tudo é pouco.
Mas se não fôr por amor, não vale a pena.




terça-feira, 12 de março de 2019

O mais simples poema de amor

O mais simples poema de amor
Não tem frases, nem palavras.
Não se pode ler, nem declamar...
Ele cabe no brilho do teu sorriso.,
É o tanto e o tão pouco que preciso
Na inexplicável sensação ao te olhar
Mas assim me julgo poeta
Nesta forma louca de te amar.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Pré Obituário

Quando eu morrer, que dirão de mim?
Alguns, talvez poucos,
lembrar-se-ão de como amei,
dos meus princípios, dos meus valores,
dos meus choros, dos meus sorrisos,
das minhas lutas, das minhas dores,
dos meus verdadeiros amores...
Outros, talvez muitos,
falarão do que não entenderam,
dos passos que eu dei desbravando vida,
criticarão o que não perceberam,
Julgar-me-ão certamente também,
por algum erro que cometi,
e não por tudo que fiz de bem,
falarão daquilo que viram,
e não da verdade que de mim ouviram.
Mas, para ser sincero,
nada disso me importa...
Quando a morte me bater à porta,
que cada um julgue o que quiser...
Que não chorem aqueles
que nem sequer se importaram
com o que em vivo eu senti.
Que não tragam flores aqueles
que nunca souberam que sementes plantei,
quais árvores cuidei, que plantas cheirei...
Que não venham de negro vestidos,
de ar triste e imensamente sofridos,
para se despedirem de mim
aqueles que nem nunca souberam
as vezes que estive tão perto do fim.
Porque tudo isso me revolta,
a hipocrisia fácil e banal,
por isso a todos esses, por favor,
não vão ao meu funeral.
Sejam, pelo menos uma vez,
e pela ultima vez, sinceros comigo.
Ao meu lado, quererei apenas,
aqueles que algum dia, de alguma forma,
se sentiram amados por mim.
Mesmo que não me tivessem amado...
Porque fazem parte do que fui,
São um pedaço de mim.
E a esses, eu peço, que celebrem a vida,
na hora da minha morte,
que se lembrem apenas que ali estão,
porque o amor é o mais forte.
Que tragam música, poesia,
ilusão, fantasia,
que se abracem em festa,
e que levem para o resto das vossas vidas,
esse gesto de amor que eu em vida deixei em vós.
Que entendam o amor....
Que não tenham medo da verdade...
Ficarão esses certamente com saudade,
com a mesma saudade que eu já sinto antes de partir.
Mas, como sempre tenho dito,
só morrerei definitivamente,
quando morrer a última pessoa que se lembre de mim...
Continuarei vivo naqueles que me amam...
Não sei quanto tempo tenho...
Quanto tempo terei...
Não sei da vida o tamanho,
nem se poderei ainda dar felicidade a alguém
Consciente de que o que me sobra
é certamente muito menos do que já vivi
E é pena, pois sinto-me cada vez mais sábio,
mais apto para viver...
Mas não há nada a fazer.
Lembrem-se por favor,
que para mim sempre foi,
e será sempre pouco necessário...
Apenas amor,
E no meu obituário
se quiserem identificar quem eu sou...
Escrevam apenas, e tão só...
Aqui Jaz, um homem que amou...

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

GRITO DE AMOR

Eu gritava, ninguém me ouvia....
Talvez porque o meu grito, era mudo, calado,
Por outros gritos já cansado,
Rasgando as entranhas do meu ser...
Num peito dorido, ofegante,
Quase vencido, quase delirante,
que sofrendo, teimava em viver.

Eu gritei, ninguém me ouviu...
Nem a escuridão da noite, nem a luz do dia,
Nada apaziguava essa agonia,
nem me libertava a voz presa na garganta...
Procurava meu espaço, tão perdido,
Um simples abraço, mesmo fingido,
cinismo que dói, mas breve, encanta.

Eu gritava, ninguém me ouvia...
Mas dentro de mim, queria calar esse grito,
que me enlouquecia, me deixava aflito,
como louco perdido na sua cruel loucura...
Que estúpido destino, que raio de sorte,
era como peregrino caminhando para a morte,
procurando o descanso da sepultura.

Eu gritei, ninguém me ouviu...
Cansado, sem resposta, fugindo da dor, da vida,
Ensaiei até ao pormenor a despedida,
Num desejo sedento de encontrar paz.
Inerte e desesperado, então vencido,
Meu corpo prostrado, já tão ferido,
nem pensar, era ele já capaz.

Calei o meu grito, alguém me ouviu...
Alguém que no silêncio, me soube escutar,
que ouviu o meu grito, apenas no meu olhar,
e que olhando apenas, me acalmou...
E nos passos incertos, sem rumo, sem fim,
Vi uns braços abertos, esperando por mim,
e descansando em seu peito meu grito se calou.

Calei o meu grito, foste tu quem me ouviu...
Curaste-me as feridas com ternura e paixão,
Fizeste bater de novo o meu velho coração,
e com paciência me reensinaste a respirar...
Hoje ainda grito, mas já não grito de dor....
Agora o meu grito, é um grito pleno de amor,
Gritarei para sempre, por ti, por te amar.



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

FAMÍLIA (inspirado na música de Rui Massena)

Somos a semente sem vontade própria,
plantada num ventre que nos dá guarida,
Embrião de um ser fruto do sexo,
Princípio de algo tão nobre e complexo,
no pressuposto da continuidade da vida.

Seremos porventura um sonho desejado,
Num gesto de paixão numa noite de amor.
Ou seremos apenas resultado do acaso,
aventura banal inconsciente dum caso,
em que o prazer se sobrepôs à dor?

Chegamos ao mundo que parece perfeito,
Deixando a protecção do ventre materno.
Sem consciência sequer donde estamos,
o que somos, para onde vamos,
porque tudo parece ser bom e eterno.

Não nos foi dado nunca a escolher,
o pai ou a mãe da nossa concepção.
Esperamos a sorte que vai ditar,
Se esses realmente nos vão amar,
ou se nos atiram ao mundo sem protecção.

Duma forma ou doutra nos vamos criando,
Nessa família que inventaram para nós...
A partir do momento em que somos gente,
os pais, esses nós temos certamente,
e talvez irmãos, primos, tios e avós....

Com sorte, cresceremos então nesse meio,
aí fundaremos as nossas raízes...
Com mais sorte ainda seremos amados,
Seremos protegidos e educados,
o conceito definido de crianças felizes.

Outros porém, talvez menos afortunados,
Vivem bem cedo o sabor da desilusão.
Crescem nas pedras dum qualquer asfalto,
Vivem  dia a dia num sobressalto,
Sob o tecto de uma qualquer instituição.

Quem conforta o seu choro o seu pranto?
Quem lhes dá colo, ternura, calor?
São gente, que não querendo nada,
são uma família emprestada,
Verdadeiros profissionais do amor.

Uns e outros seguimos os caminhos,
que as escolhas e o destino nos dão...
Bem sucedidos, ou mal educados,
Seremos fruto donde fomos criados,
salvaguardando sempre a excepção.

Nesse percurso outros tantos ao nosso lado
partilham pedaços do nosso crescimento.
Alguns, poucos, de uma forma marcante,
serão sempre uma presença constante,
quer no bom ou mau momento.

Esses que sempre nos ouvem, nos apoiam,
nos dão força, paciência e até amparo....
São uma outra familia escolhida,
porque naquela que nos deu vida,
é um gesto cada vez mais raro.

Tal como começamos, também acabamos,
a precisar de quem nos possa cuidar.
Com a tal sorte, na família onde nascemos,
mas o mais certo que nós temos,
é sozinhos ou num qualquer lar.

E de novo contamos com alguém,
que nada nos é, que nada nos diz....
Contudo, são os seus gestos de empenho,
nesse ser, que para nós é estranho,
mas nos ajuda a ter um final mais feliz.

O que é então essa tal família?
Os filhos? os pais? os avós?
Ou serão aqueles que mais amamos,
com os quais nossa vida partilhamos,
e que sem nos julgar nos amam a nós?

A família é um mero e abstracto conceito,
da procriação nesta egoísta sociedade.
Familia, é quem vive no nosso peito,
Os que nos preenchem de algum jeito,
são a nossa família de verdade.




quarta-feira, 30 de agosto de 2017

ESTRADA (inspirado na musica de Rui Massena)

Mais uma vez aqui estou, sozinho....
Percorri trilhos, caí,
levantei-me, segui,
o instinto me levou no seu caminho....
Como ave peregrina
que pousa breve e cansada,
Julguei voar pelo mundo,
onde tive tudo,
onde fiquei sem nada....
Lambi as feridas,
Escondi o medo,
Continuei a sorrir,
Cantei,
baixinho,
em segredo...
A solidão me aconchegou
na noite fria....
A alma esqueceu o que sou,
de tão triste e vazia....
Sacudi as asas....
Queria ainda voar...
Porque até as lágrimas,
já estavam secas de tanto chorar...
Perdi as utopias de menino,
quase me perdi de mim,
Fui levado pelo destino,
fui ao acaso,
no cansaço,
tropecei no atalho
mas olhei sempre o fim....
A custo me reergui...
Tantas vezes me reinventei....
Olhando em frente,
acreditei....
O importante é seguir....
Nunca, nunca desistir....
E de braços abertos
o amanhã abracei.
Corri à chuva e ao vento,
soltei as amarras do pensamento,
Porque queria ser feliz....
O passado...
è apenas, uma cicatriz.
Já lá vai o Inverno,
Vem de novo a Primavera,
Talvez, eu tenha ainda,
um sol à minha espera...
E no meu grito em silêncio,
ecoando no meu peito,
despertei na madrugada
e ao abrir os meus olhos
vi a luz de um novo sonho
que me iluminava de vida,
Que me sarava a ferida,
E minha alma, então renovada,
ergueu meu corpo,
e confiante,
seguiu uma nova estrada.