Novidade

Brevemente, além de leres poderás ouvir os meus poemas e prosas recitados por mim e com fundo musical.

domingo, 7 de outubro de 2007

Receita Simples


Se queres saber do verdadeiro amor,
deixa esfriar o fogo da paixão louca,
junta-lhe algumas lágrimas e dor
e prova-o de seguida com um beijo na boca.
Retira-lhe os condimentos banais,
adiciona-lhe um pouco de saudade,
e quando no fim pensas que já não há mais,
o que resta é o amor de verdade.

sábado, 6 de outubro de 2007

Antagonias de mim...


Não me sinto no que sou,
nem sou o que estou sentindo.
Nem me fico, nem me vou,
por mim o tempo passou
e sem notar me estou indo.

Não me choro no meu riso,
nem me vejo nesta cegueira.
Vou vivendo de improviso,
negando tudo o que preciso
neste frio já sem fogueira.

Não me dou quando me entrego,
nem me oiço quando me falo.
Afirmo tudo o que nego,
Lavro meu vasto corpo cego,
e sem me ir quero levá-lo.

Não me canto no meu segredo,
nem me despeço no meu ficar.
Deixo-me ir sem ter medo,
e embebedo-me no enredo,
dos amores que não sei amar.

Não me tenho se me quero,
nem me quero só por me ter.
Vou andando, não me espero,
Vou ficando, e sou sincero
já não sei se sei viver.

Não me digo, não me faço,
nem me sei no não fazer.
Sinto-me preso em tanto espaço,
e parando fico a um passo
da estrada do meu morrer.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Sentir das palavras


Hoje, não sei o que escrever...
Mas apetece-me dizer.. dizer nem sei o quê!
Apetece-me soltar palavras,
construir pensamentos,
e não sei porquê, não sou capaz...
Não consigo sentir tranquilidade,
não consigo encontrar em mim um pouco de paz!
Para as palavras, faltam-me as letras...
para os pensamentos falta-me o sentido...
Resta-me o desejo, a vontade de escrever...
A vontade de dizer o que não consigo!
A vontade de gritar estando calado!
Resta-me ser! Mas nem me conheço...
Do que era apenas pareço,
e o que pareço é imagem pálida de mim.
Sou sombra dos meus desejos,
sou penumbra da minha vontade,
sou omissão da verdade.
Ando então em busca de quê?
Quem me acompanha neste corpo sózinho?
Quem me abandona se nem sei o caminho?
Quem me dera apenas ser
a parte mais simples de mim,
para não ter de tentar explicar
o que agora procuro dizer...
Dizer o quê, se não há quem me oiça!
Dizer porquê, se nem sei o que diga!
E sem encontrar explicação,
finjo dizer ser poeta,
brinco com as palavras,
pois pode ser que elas percebam o que estou a sentir
e me possa reencontrar
para então finalmente escrever este poema.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Essência


Ontém, vi-te chorar.
Mas as tuas lágrimas eram luz,
e a tua expressão era coragem,
como se a tua tristeza
e essa tua dor,
fosse força para a tua viagem.

Hoje, vi-te sorrir.
Mas o teu sorriso era triste,
e o teu olhar estava longe,
como se a tua presença
e esse teu sorriso,
fosse obrigação para ti!

Amanhã, quero ver-te!
Quero que juntes as lágrimas e o sorriso,
porque a felicidade não o é para quem não conhece dor.
Talvez assim te procures e te encontres,
nas saudades da tua própria ausência,
e do choro, e do sorriso,
retires a mais elementar essência.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Sonhar


Sonhar é conseguir ler numa folha branca
palavras de amor inquietante,
Sonhar, é sentir o tempo todo num instante,
é ouvir do silêncio a mais bela melodia,
Sonhar, é perceber a noite a esconder-se do dia,
é entender o caos em perfeita harmonia,
Sonhar, é alma de poeta, de inventor
que finge ter lido este poema,
porque só assim se sente um sonhador!

Por mais um momento, apenas...


Se pudesse de novo ouvir tua voz...
Se pudesse de novo sentir as tuas mãos...
Se pudesse de novo olhar-te nos olhos...
Dir-te-ia que jamais te deixarei de amar,
Dir-te-ia que o passar do tempo não faz esquecer,
Dir-te-ia o quanto preciso ainda de ti.

E aí, por mais um momento,
nem que fosse um curto momento apenas,
eu sorriria de tanta felicidade,
de poder aliviar esta saudade
e dizer-te simplesmente
"OLÁ PAI!"